Há 11 anos Adriana Cínthia Damasceno não sai de casa. Quando tenta, o coração dispara, ela é tomada por tontura, suores e sente a presença da morte. Na profusão de sintomas que tem, o medo é um sentimento muito presente. Além do temor de ir além do portão da residência, ela tem medo do escuro, de ficar sozinha e até de lagartixas.
Os medos, que levam a doenças, são parceiros constantes do dia-a-dia da humanidade. Mas não são um mal que aflige apenas Adriana, que afirma ter também transtorno obsessivo compulsivo e transtorno do pânico. Famosos como Luciana Vendramini (Toc), Lídia Brondi (pânico) e Roberto Carlos (compulsividade pelo azul e branco) também têm alguns dos sintomas parecidos com os dela.
Adriana, de 30 anos, não se lembra como o medo de sair de casa surgiu. Recorda somente da data exata em que o lar virou uma espécie de prisão: 9 de novembro de 1993. “Eu era uma garota alegre e que gostava de conversar. Aí começou a depressão, não conversava com mais ninguém na escola, ficava recolhida, triste, pra baixo e chorava no meio da aula, sem qualquer motivo”, rememora.
Nesta época, Adriana abandonou a escola e a possibilidade de realizar o grande sonho de sua vida: tornar-se locutora de rádio. Durante os últimos 11 anos em que se recolheu, tentou tratamento com três psicólogos. Acabou dispensando os profissionais por que não viu nenhum resultado prático.
Sem dinheiro para tentar um tratamento mais completo e com psiquiatras (que poderiam fazer um diagnóstico aprofundado), paralisada pelo medo de sair de casa, Adriana vê o círculo se fechar cada vez mais. Ela se entrega às fobias, consciente do perigo: “Uma das psicólogas que cuidou de mim disse que o medo é como um gatinho que, se você alimenta, acaba virando um leão”.
Na verdade, Adriana enfrenta vários leões. Ela disse ao Jornal de Brasília que tem um sem número de medos: de ficar sozinha em casa, de sair de casa, da escuridão, de assombração, de vomitar e de lagartixa. Ela é vítima de uma reação mental que é chamada de fobia.
Dilce Damasceno, mãe de Adriana, lembra que desde pequena, a filha apresentava um comportamento que define como “diferente”: “Aos sete anos, ela ficou deprimida. não queria comer nada. Nem água queria beber. Ficou magrinha. Foi assim por dois meses. Depois melhorou e o problema só voltou a aparecer quando ela tinha 15 anos”, conta.
A mãe, preocupada, afirma que hoje a filha vive tendo tonturas e tremedeiras. E fica muito preocupada com a situação: “A gente sofre muito vendo isso. Tem hora que ela treme todinha. Ela pasa o dia tomando sonrisal e tomando banho. Eu tento ajudar, dou conselho. Ela depende muito de mim para comprar as coisas pra ela, os remédios, porque ela não sai de casa”, conclui.