A produção do chamado novo cinema brasileiro – os filmes produzidos a partir da década de 90 e que têm em O Quatrilho (produção de 1994, com direção de Fábio Barreto), seu marco inicial – acaba de ganhar uma rede de exibição para o interior do País, por veiculação digital (DVD), e cujo alcance está sendo dimensionado como uma verdadeira revolução cultural.
A Petrobras, o Banco do Brasil e a Federação Nacional das AABBs (Fenabb) anunciaram, ontem, no Rio de Janeiro, a criação de uma rede de exibição de filmes para atender pequenas, médias e grandes cidades do interior do País, apenas com produções brasileiras.
“Estamos iniciando um movimento de formação de platéia e espero que o controle disso se perca, com as prefeituras e empresas aderindo ao projeto”, festejou o assessor institucional da Petrobras, José Jacinto do Amaral.
O Projeto Circuito Brasil de Cinema começa a ganhar o território nacional a partir da próxima quinta-feira, dia 9, em 12 cidades – uma por estado. Em Brasília, o início da programação está previsto para a próxima semana. “Mas ainda não sabemos se será no Centro Cultural Banco do Brasil ou se na AABB”, disse o presidente da Fenabb, Reinaldo Fujimoto. “Estamos definindo isso”.
Os ingressos terão preços populares de R$ 2 (inteira) e R$ 1 (meia), além de as sessões arrecadarem alimentos para o Programa Fome Zero. De acordo com o secretário-executivo do Ministério da Cultura (MinC), Juca Ferreira, em algumas cidades o ingresso será a doação de alimentos.
“Todos os produtores vão receber seus direitos de exibição”, informou o diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato. “Estamos racionalizando espaços já existentes, com baixo investimento, buscando o público carente, pessoas da terceira idade e estudantes, inicialmente em 13 cidades”, definiu o diretor do BB.
O investimento total para a primeira fase do projeto, que terá programação trimestral, é de R$ 1 milhão. E o custo do equipamento digital para a exibição dos filmes é de R$ 11 mil por sala.
As cidades de Arapiraca (AL), Campina Grande (PB), Curutiba (PR), Gravatá (PE), Itanhaém (SP), Itabuna (BA), Joinville (SC), Montes Claros (MG), Passo Fundo (RS), São Luis de Montes Belos (GO), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Brasília serão as primeiras de um circuito que almeja atingir 1.250 municípios (números de cidades brasileiras com AABBs).
“Até o final de 2004 estaremos operando em cem municípios”, adiantou Henrique Pizzolato. “Na primeira fase optamos por cidades com o mínimo de 30 mil habitantes, mas há localidades com seis mil e todas serão atendidas”.