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Filme de amor à moda antiga, mas…

Arquivo Geral

03/02/2006 0h00

Sabe aqueles filmes clássicos que falam do amor proibido (como A Princesa e o Plebeu), ou da relação de amor e ódio (…E o Vento Levou), ou mesmo do arrependimento de ter deixado a grande paixão escapar (O Morro dos Ventos Uivantes)? Segue linha semelhante O Segredo de Brokeback Mountain. Saem o glamour da época de ouro de Hollywood, a mocinha da trama e o final feliz. A produção americana, dirigida pelo taiwanês Ang Lee, chega hoje aos cinemas da cidade, após uma temporada triunfante, que rendeu oito indicações ao Oscar – entre elas de melhor filme, direção, roteiro adaptado (do conto de Annie Proulx), ator (Heath Ledger) e ator coadjuvante (Jake Gyllenhaal).
A história de amor citada é silenciosa, selada por sete chaves em segredo pelo par “romântico” formado por dois caubóis, Ennis Del Mar (Ledger) e Jack Twist (Gyllenhaal), ambos ditos heterossexuais. Eles são contratados para pastorear o rebanho de ovelhas do fazendeiro turrão Joe Aguirre (Randy Quaid) por três meses na isolada Montanha de Brokeback.
Numa noite fria, quando dividem a pequena barraca à beira do rio, Jack se insinua para Ennis – então noivo, com data de casamento marcada. Ele é relutante. Com a insistência de Jack, Ennis abre as calças, vira-o de costas e consuma a relação sexual. No dia seguinte, diz, com a rudeza natural de um caubói: “Não sou gay, o que aconteceu termina aqui”. E terminou.
Ennis se casa e cria duas filhas. Jack tenta ganhar a vida como peão de rodeios e tem o mesmo destino: casa-se com a filha de um empresário agrícola, Laureen (Anne Hathaway) e tem um filho. A expectativa em relação ao que deve ocorrer na trama passeia entre a vala comum – de um mero drama familiar – ao desejo pela concretização do relacionamento homossexual, sobre o qual Ennis permanece relutante. Quatro anos se passam e eles se reencontram regularmente, duas ou três vezes por ano, na mesma montanha.
O filme de Ang Lee – principal responsável pelo êxito da trama, devido à condução sensível e, ao mesmo tempo, rudimentar – é complexo. Porque a trama é caudalosa e o tema é tratado como tabu, inclusive porque a história se situa na sociedade rural norte-americana dos anos 60 e 70. No que concerne ao espectador, Lee consegue tratar a homossexualidade com a desenvoltura que o tema recebe ao ser abordado nestes anos 2000. Não é um filme gay – chavão que precede a apresentação de títulos como A Gaiola das Loucas ou Priscila – A Rainha do Deserto –, no sentido de que não é “afetado”, nem se limita a explorar a atração física entre dois homens.
Não é dito “eu te amo” uma única vez. As carícias agressivas trocadas entre os amantes secretos também refletem o paradoxo que envolve esse amor. Mas o sentimento está lá, demonstrado cena após cena, apenas pela soberba atuação de Heath Ledger e Jake Gyllenhaal. Excelentes atores que, a partir de agora, dispensam apresentação e merecem o Oscar.

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