Esta semana faz 25 anos que Ian Curtis, vocalista do Joy Division, interrompeu uma das mais promissoras carreiras do rock britânico, desde os Beatles. Após de suas constantes brigas com sua mulher, Deborah Curtis, no dia 17 de maio de 1980, o gelado Ian se trancou em casa, colocou o disco The Idiot (O Idiota), de Iggy Pop para tocar e se pendurou, pelo pescoço, numa corda de varal. Aos 23 anos, Ian Curtis foi encontrado enforcado na sala. Era o fim, um dia antes do início da turnê norte-americana, de uma das maiores personalidades do rock dos anos 80, vocalista da banda que renovou a música de sua época e acabou dando origem a outro grupo não menos importante, o New Order.
Eventos ao redor do planeta celebram o Joy Division que, com hits como Love Will Tear Us Apart, instaurou a aura dark dos anos 80, com músicas em que o baixo se destacava mais que o vocal e a batida seca e ritmada dava base a letras tocantes. Eles influenciaram do Placebo até U2, passando por George Michael, Jeff Buckley e o brasileiro Renato Russo.
Inspirado pela biografia Touching from a Distance, escrito pela viúva de Ian, está em fase de produção o longa Control, dirigido pelo fotógrafo Anton Corbijn e com roteiro de Deborah e co-produção de Tony Wilson, famoso apresentador de televisão de Manchester, razão de ser do filme A Festa Nunca Termina, de 2002, que mostra o cenário musical punk da cidade.
Wilson fundou o lendário selo Factory, que lançou o próprio Joy Division e o New Order. Ele foi também o mentor do club Hacienda, embrião do acid house europeu. “Existe muito blablablá em torno da morte de Ian, mas só ele deve saber as razões que levaram ao seu suicídio. É normal que o comparem com Jimi Hendrix e Kurt Cobain, mas Ian e esses músicos só são o que são hoje pela sua música”, pontua Wilson, em entrevista.
Wilson, que hoje investe no hip-hop britânico e realiza documentários sobre a planta alucinógena ayahuasca, adianta que o roteiro foi entregue há três semanas. “Eu não cuido do elenco, mas independentemente de quem interpretar Ian, será um bom filme porque o roteiro está fiel à história.” Ele destaca a contextualização da Manchester do fim dos anos 70. “Era uma cidade suja, pobre e violenta. A cena punk da época foi uma revolução para a cidade. Hoje Manchester é uma cidade agradável, bonita e culta.”