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Filme amplifica o grito dos excluídos

Arquivo Geral

26/11/2005 0h00

O cineasta carioca Evaldo Mocarzel faz questão de frisar que a militância do Movimento dos Sem-Teto do Centro (MSTC) não precisa que ninguém a dê voz, porque já a possui. Ao projetar seu documentário À Margem do Concreto, na noite de quinta-feira do 38° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o diretor assume, ao menos, o papel de amplificar o grito de guerra de uma categoria condenada à marginalidade na Grande São Paulo – e inconformada diante de uma política social que mantém ociosos vários complexos habitacionais no centro da capital paulista.

O filme, atualíssimo no recorte documental em tom denunciatório, é, também, exemplo de bom cinema.

A direção segura e a obsessão de Mocarzel em filtrar a realidade crua em cada uma das etapas da ocupação dos sem-teto somam-se ao raio-x daquilo que ele mesmo chama de “realidade inverossímel” do dia-a-dia do movimento: as conquistas, os conflitos internos e as reformas para dividir a residência ao máximo para abrigar as famílias – seja no aproveitamento de um grande apartamento dividido em seis, ou no confinamento num banheiro sem azulejos.

A dinâmica do filme coincide com a velocidade em que os sem-teto ocupam os edifícios abandonados, em atos que a mídia convencionou chamar de invasões – termo rejeitado pela militância.

Mocarzel, contudo, se permite o uso de algumas lições da escola do documentário de Eduardo Coutinho, como tocar nas feridas do passado de cada um dos personagens principais – sempre de forma humanista, sem disfarces. A captura de suas expressões, porém, fica prejudicada devido ao pouco tempo que o diretor tem para administrar todas as ramificações do tema.

À Margem do Concreto se mune da arma do maniqueísmo para atirar contra a classe média e vilanizar o trabalho da polícia com uma eletrizante seqüência final, que se desenvolve como uma guerrilha urbana. Dramático, o confronto não deixa vítimas – mas acaba deixando uma ferida na alma do espectador.

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    26/11/2005 0h00

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    O filme, atualíssimo no recorte documental em tom denunciatório, é, também, exemplo de bom cinema.

    A direção segura e a obsessão de Mocarzel em filtrar a realidade crua em cada uma das etapas da ocupação dos sem-teto somam-se ao raio-x daquilo que ele mesmo chama de “realidade inverossímel” do dia-a-dia do movimento: as conquistas, os conflitos internos e as reformas para dividir a residência ao máximo para abrigar as famílias – seja no aproveitamento de um grande apartamento dividido em seis, ou no confinamento num banheiro sem azulejos.

    A dinâmica do filme coincide com a velocidade em que os sem-teto ocupam os edifícios abandonados, em atos que a mídia convencionou chamar de invasões – termo rejeitado pela militância.

    Mocarzel, contudo, se permite o uso de algumas lições da escola do documentário de Eduardo Coutinho, como tocar nas feridas do passado de cada um dos personagens principais – sempre de forma humanista, sem disfarces. A captura de suas expressões, porém, fica prejudicada devido ao pouco tempo que o diretor tem para administrar todas as ramificações do tema.

    À Margem do Concreto se mune da arma do maniqueísmo para atirar contra a classe média e vilanizar o trabalho da polícia com uma eletrizante seqüência final, que se desenvolve como uma guerrilha urbana. Dramático, o confronto não deixa vítimas – mas acaba deixando uma ferida na alma do espectador.

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