Nem sei se a lei ainda existe, mas até bem pouco tempo as emissoras de televisão eram obrigadas a, a cada hora de programação, abrir no máximo 15 minutos para os comerciais. Era proibido exceder tal limite. Hoje em dia, salvo raras e honrosas exceções, verifica-se que a coisa funciona meio na base do vento a favor. Existem os canais que se destinam unicamente a anunciar e vender produtos. São os chamados “camelôs eletrônicos”, que vendem de avião a calcinha fio-dental, sempre comprovando a qualidade do produto. Uns mais, outros menos, dependendo, evidentemente, de quanto foi pago pela inserção. Há também emissoras que foram criadas para outros fins, como a TV Gazeta/SP, e se transformaram no meio do caminho. Parte ou totalidade da programação foi “loteada”, para a venda de produtos ou serviços das mais diversas naturezas, inclusive de ordem sexual, como acontece nos fins de noite ou durante as madrugadas. Ficou mais fácil e cômodo para determinados empresários da televisão, em vez de investir em programações e contratação de pessoal, lotearem os espaços das suas redes de TV. E a coisa funciona na base do quem paga mais. Que se lixe o mercado de trabalho.