Os brasilienses têm um motivo a mais para assistir ao programa Altas Horas, na Rede Globo, hoje à noite. É que pela primeira vez em quatro anos de existência, Serginho Groisman e sua trupe saíram de São Paulo para gravar o programa em outra cidade e a escolhida foi Brasília. “Quero conhecer os jovens de todas as cidades, cada região tem uma maneira de se manifestar, perguntar. É a platéia que faz o programa”, afirmou Serginho Groisman.
A equipe de 110 pessoas chegou à cidade na terça-feira para montar o estúdio, réplica do usado em São Paulo. O local escolhido foi o estacionamento do Mané Garrincha, onde também está montada a estrutura do Brasília Music Festival Electronic (BMFe).
Toda a equipe técnica e operacional de Serginho veio para a capital, inclusive a banda feminina Altas Horas. Os equipamentos incluíram mais de 200 canais de som e quatro geradores de 450 KWA. “É uma honra ter o Altas Horas aqui em Brasília para mostrar o lado não-político”, afirmou Rafael Reisman, produtor do BMFe.
“A idéia é tornar o programa itinerante. Brasília foi a primeira. Dia 20 de outubro, gravaremos no Morro da Urca, no Rio de Janeiro, para comemorar os quatro anos do programa, e ano que vem, ainda sem data definida, em Salvador”, adiantou Serginho Groisman. “É a maneira de retribuir a quem assiste, levar o programa para quem não pode ir a São Paulo”, completa.
Antes de entrar para gravar, Serginho fez uma reunião com a produção, atendeu jornalistas e fãs, e escolheu o figurino, entre os cinco pares de sapatos, quatro calças e sete blusas que estavam no camarim.
Irreverente A gravação em Brasília contou com os seguintes convidados: a atriz Maria Maya (Regininha da novela Senhora do Destino), os atores Douglas e Darlan (intérpretes de Laranjinha e Acerola, da série Cidade dos Homens), o repórter Zeca Camargo, a cantora Daniela Mercury, os DJs Patife e Anderson Noise e o grupo Capital Inicial.
Todos os artistas eram só elogios para a idéia de gravar fora de São Paulo. “Sempre admirei o Serginho por fazer um jornalismo irreverente. Os jovens precisam de muito espaço, pois são a cara do Brasil”, disse o jornalista Zeca Camargo, logo após gravar sua participação, onde divide com o público histórias da viagem de quatro meses pelo planeta para o quadro Volta ao Mundo, do Fantástico, onde visitou 17 países e mais de 40 cidades.
O vocalista Dinho, do Capital Inicial, se sentiu honrado com o convite. “Legal tocar no programa gravado em Brasília, uma cidade que tem muito a ver com a nossa história musical”, afirmou. A banda gravou o programa no dia que o ex-guitarrista do grupo, Loro Jones, fez o primeiro show solo na capital. “Tomara que a coincidência traga boas vibrações para todos nós. Ele mora nos nossos corações”, disse Dinho.
A platéia, formada por universitários e estudantes secundaristas de instituições públicas e particulares, passou muita sede. A cada bloco gravado, pediam água, gritando, à produção do programa, já que estavam no estúdio desde 18h e ficaram por lá até as 22h30, quando acabou a gravação. O pedido não foi atendido. Não havia água para tantas pessoas (cerca de 430, escolhidos pela produção do Altas Horas). Eles esqueceram que Brasília passa por dias de baixa umidade. Para amenizar a situação, Serginho soltou essa, rindo: “Eu não sou bombeiro, gente. Porém de me pedir água.”
O ponto alto do programa foi a participação do Capital Inicial. Dinho e os músicos levaram a platéia, preominantemente candanga, ao delírio com suas músicas. Fecharam o show com Que País é Esse, em homenagem à Legião Urbana, de Renato Russo.
Serginho Groisman perguntou para o público sobre Brasília, como era a vida jovem na cidade, falou de famosos que são da capital e esteve bem próximo do público durante todo o programa. “A idéia é democratizar a televisão”, diz. O apresentador mostrou carisma e interatividade com o público, levando alguns deles para o meio do palco e batendo papo.
Interferência Durante a transmissão de hoje, as atrações serão intercaladas com imagens gravadas do Brasília Music Festival Eletronic. A equipe gravou cenas da noite, ontem e gravará hoje à noite, antes da exibição do Altas Horas, prevista para 1h da manhã. “Tínhamos combinado links ao vivo, durante o programa. Mas, depois da estrutura montada percebemos que por conta da interferência sonora não seria possível”, explicou Rafael Reisman.
Serginho Groismam, depois de três horas de gravação, era só alegria. “Eu já imaginava que seria assim. O público foi muito participativo. Adorei!”, disse. Os estudantes puderam conhecer os bastidores de um programa de televisão, entender como tudo funciona antes de ir ao ar. “Galera, televisão é assim, se alguma coisa der errado, tem que repetir”, explicou Dinho, do Capital Inicial, pelo fato de terem que tocar novamente uma música, já que na primeira tentativa tiveram um problema no áudio.
A platéia estava admirada com o programa e bastante participativa. Chegou a ser polêmica em alguns momentos, debatendo temas como racismo e diferenças de classes sociais.
Todos os brasilienses presentes viram a experiência de participar do Altas Horas como novidade. “É a primeira vez que participo de um programa assim e gostei muito. Na minha opinião, o melhor momento foi o show do Capital”, afirmou estudante Otávio Magalhães, de 17 anos. A universitária Tâmara Ramos, de 18 anos, se divertiu com as atrações, mas ficou atenta a tudo. “Foi legal aprender como é por trás das câmeras”, disse.
Serviço
Altas Horas no BMFe – Exibição do programa gravado quinta-feira em Brasília. Hoje, às 0h55. Rede Globo.