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Experimentais e políticos

Arquivo Geral

30/08/2005 0h00

Era final da década de 60, na França, um momento de explosão política e intelectual, em que as pessoas estavam repensando todos os conceitos. Sob o espírito revolucionário do movimento estudantil de maio de 68, o cineasta Jean-Luc Godard se uniu a um grupo de intelectuais de esquerda com a proposta de realizar filmes experimentais militantes. Surgia o Grupo Dziga Vertov, com título que faz homenagem ao grande cineasta russo.

Um pouco desse momento chega a Brasília, por meio da mostra Grupo Dziga Vertov, de hoje a domingo, com três sessões diárias no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), quando o público poderá conferir nove longas-metragens inéditos no País. Figura central do grupo, Godard contou com a parceria ativa de Jean-Pierre Gorin, na época editor do jornal Le Monde, com o qual assinou vários filmes.

O Grupo Dziga Vertov teve vida curta (durou até 1974) e produziu obras-primas que permaneceram pouco conhecidas ao longo dos últimos 35 anos. Recentemente, esse trabalho tem sido resgatado por toda a Europa, em festivais de cinema e arte. “Eram feitos trabalhos coletivos, com material barato. É um trabalho muito particular, diferente de tudo que já foi feito até hoje no cinema mundial”, diz a curadora da mostra, Jane de Almeida.

O filme de estréia, que será exibido hoje, às 19h, é Vento do Leste, obra que conta com a participação do cineasta brasileiro Glauber Rocha no elenco. A história trata de inúmeras questões sobre as posições políticas anticapitalistas, mas, principalmente, aborda a ideologia das composições do cinema, como a junção da imagem e do som, por meio de um grupo de pessoas que supostamente fará um filme.

Após a sessão, Jean-Pierre Gorin fará uma palestra sobre o grupo e suas preocupações estéticas. “Ele fala de como trabalhava com Godard, de como os filmes foram feitos, do que ele acha que é a importância dos filmes e um pouco sobre sua obra atual”, explica Jane.

Serão exibidos ainda Um Filme Como os Outros, Sons Britânicos, Pravda, Lutas na Itália, Vladimir e Rosa, Aqui e Acolá, Carta para Jane e Tudo Vai Bem. “São filmes absolutamente experimentais, com muito teor político”, analisa a curadora. “Eles eram extremamente ousados em termos de experimentação. A liberdade que eles tinham ficou perdida naquela época”.

A Mostra Grupo Dziga Vertov é uma oportunidade para que os mais jovens conheçam o trabalho realizado nessa fase. “Acho que o mais importante é repensar como o cinema tem sido feito, como ele poderia ter sido feito e como ainda pode ser feito”, sugere Jane. “Dos anos 70 até hoje, existe um tipo de cinema estabelecido. Ali você pega algo de um ponto em que eles estavam tentando reinventar tudo”.

serviço

Mostra Grupo Dziga Vertov – Exibição de filmes inéditos realizados pelo grupo nas décadas de 60 e 70. De amanhã a domingo, sessões às 17h, 19h e 21h, no Cinema do Centro Cultural Banco do Brasil. Ingressos a R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia-entrada). Mais informações: 3310-7087.

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    Experimentais e políticos

    Arquivo Geral

    30/08/2005 0h00

    Era final da década de 60, na França, um momento de explosão política e intelectual, em que as pessoas estavam repensando todos os conceitos. Sob o espírito revolucionário do movimento estudantil de maio de 68, o cineasta Jean-Luc Godard se uniu a um grupo de intelectuais de esquerda com a proposta de realizar filmes experimentais militantes. Surgia o Grupo Dziga Vertov, com título que faz homenagem ao grande cineasta russo.

    Um pouco desse momento chega a Brasília, por meio da mostra Grupo Dziga Vertov, de hoje a domingo, com três sessões diárias no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), quando o público poderá conferir nove longas-metragens inéditos no País. Figura central do grupo, Godard contou com a parceria ativa de Jean-Pierre Gorin, na época editor do jornal Le Monde, com o qual assinou vários filmes.

    O Grupo Dziga Vertov teve vida curta (durou até 1974) e produziu obras-primas que permaneceram pouco conhecidas ao longo dos últimos 35 anos. Recentemente, esse trabalho tem sido resgatado por toda a Europa, em festivais de cinema e arte. “Eram feitos trabalhos coletivos, com material barato. É um trabalho muito particular, diferente de tudo que já foi feito até hoje no cinema mundial”, diz a curadora da mostra, Jane de Almeida.

    O filme de estréia, que será exibido hoje, às 19h, é Vento do Leste, obra que conta com a participação do cineasta brasileiro Glauber Rocha no elenco. A história trata de inúmeras questões sobre as posições políticas anticapitalistas, mas, principalmente, aborda a ideologia das composições do cinema, como a junção da imagem e do som, por meio de um grupo de pessoas que supostamente fará um filme.

    Após a sessão, Jean-Pierre Gorin fará uma palestra sobre o grupo e suas preocupações estéticas. “Ele fala de como trabalhava com Godard, de como os filmes foram feitos, do que ele acha que é a importância dos filmes e um pouco sobre sua obra atual”, explica Jane.

    Serão exibidos ainda Um Filme Como os Outros, Sons Britânicos, Pravda, Lutas na Itália, Vladimir e Rosa, Aqui e Acolá, Carta para Jane e Tudo Vai Bem. “São filmes absolutamente experimentais, com muito teor político”, analisa a curadora. “Eles eram extremamente ousados em termos de experimentação. A liberdade que eles tinham ficou perdida naquela época”.

    A Mostra Grupo Dziga Vertov é uma oportunidade para que os mais jovens conheçam o trabalho realizado nessa fase. “Acho que o mais importante é repensar como o cinema tem sido feito, como ele poderia ter sido feito e como ainda pode ser feito”, sugere Jane. “Dos anos 70 até hoje, existe um tipo de cinema estabelecido. Ali você pega algo de um ponto em que eles estavam tentando reinventar tudo”.

    serviço

    Mostra Grupo Dziga Vertov – Exibição de filmes inéditos realizados pelo grupo nas décadas de 60 e 70. De amanhã a domingo, sessões às 17h, 19h e 21h, no Cinema do Centro Cultural Banco do Brasil. Ingressos a R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia-entrada). Mais informações: 3310-7087.

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