Explicar Syriana – A Indústria do Petróleo, filme oscarizável de Stephen Gaghan em duas categorias (melhor roteiro original e ator coadjuvante, para George Clooney) e que estréia hoje nos cinemas, não é fácil. Primeiro, porque nem mesmo o próprio enredo se faz claro quanto ao significado de seu título. Ou seja: a trama realmente se mostra confusa, à beira da incompreensão.
O filme precisa contar com a perseverança do espectador em acompanhar o ritmo dos diálogos (e das legendas), identificar os inúmeros personagens e, enfim, ligar uma coisa à outra. OK, a tarefa é quase impossível. Em certo ponto, dá vontade de desistir de compreender o filme, dada a quantidade de informações simultâneas jogadas, por meio de um “economês” com forte sotaque.
Que se dê um desconto. Lá pela metade, o discurso começa a ganhar substância, ao passo em que a própria trama deslancha para um drama político coerente e (arrisco dizer) cativante. Gaghan dispensa o uso da palavra syriana durante o filme. Por mero caráter informativo, syriana é um termo usado tecnicamente para descrever a “reformulação hipotética do Oriente Médio”.
Bem, pelo menos, é lá que boa parte da ação de Syriana se conjuga. O conceito é desenvolvido a partir de uma situação utópica, que compromete os planos reformistas do príncipe saudita Nasir (provável sucessor do trono), a partir do envolvimento de uma corrupta CIA norte-americana nas negociações da petrolífera Connex/Killen, fruto da fusão de duas grandes companhias.
Paralelamente, Gaghan (que fez algo semelhante no roteiro de Traffic) desenvolve quatro subtramas principais, que caminham paralelas e se encontram ao final – nada inesperado. Numa delas está o veterano agente Bob (um Clooney 13 quilos mais gordo para o papel), cujo trabalho no Golfo Pérsico é sigiloso até para o espectador. Em seguida, apresenta-se um advogado que investiga a fusão da Connex e Killen. Em outro plano, o analista de energia e pai de família Bryan (Matt Damon) começa a trabalhar para o príncipe Nasir. No quarto desdobramento, focaliza-se o imigrante paquistanês Wasim, que traça seu destino sob a tutela espiritual de um amigo árabe.
O filme é bom. Não aparenta. Mas, passado o atropelo de palavras e organizando os personagens em seu sortimento, o resultado é compensador.