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Excesso de chumbo em fitoterápico

Arquivo Geral

29/05/2004 0h00

Pesquisa inédita no Brasil, realizada pela Universidade de Brasília (UnB), detectou níveis altíssimos de metal pesado em amostras de castanha da Índia, que em alguns casos chegaram a apresentar 148 vezes mais chumbo que o limite estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo a professora Eloísa Caldas, coordenadora da pesquisa, “o valor encontrado foi tão alto que pode representar risco para a saúde humana”.

A professora e sua equipe analisaram os dez medicamentos fitoterápicos (feitos à base de plantas medicinais) mais consumidos no Distrito Federal. Os outros nove medicamentos pesquisados, no entanto, estão de acordo com os parâmetros considerados inofensivos pela OMS.

Estudos semelhantes realizados em outros países revelaram a presença dos metais cádmio, mercúrio e chumbo em plantas medicinais. Foi daí que surgiu a iniciativa de realizar a pesquisa no Brasil. “Existem vários trabalhos publicados em outros países que indicam a presença de metais pesados nesses medicamentos fitoterápicos. Por isso, nós decidimos fazer um rastreamento dos níveis desses metais nos medicamentos mais consumidos no Distrito Federal”, disse a professora Eloísa.

AmostrasForam pesquisadas 120 amostras de alcachofra, berinjela, cáscara sagrada, castanha da Índia, centella asiática, clorella, espinheira santa, gingko biloba, ginseng e guaraná, vendidas nas farmácias do Plano Piloto.

Em três amostras de castanha da Índia foram encontrados até 1.480 microgramas de chumbo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estipula o nível máximo desse metal nos alimentos e medicamentos em dez microgramas para cada quilo do produto, ou seja, foram encontrados 148 vezes mais chumbo na castanha da Índia do que o máximo recomendável.

O uso freqüente de alimentos ou medicamentos com grandes concentrações de chumbo pode provocar danos irreversíveis ao sistema nervoso, além de vulnerabilizar o sistema imunológico contra bactérias e vírus. Os primeiros sintomas de contaminação por esse metal são dor de cabeça, dores musculares, fadiga, emagrecimento, vômitos, anemia e dificuldade de concentração.

Num nível de intoxicação maior, o indivíduo tem perda de memória, irritabilidade, vertigens e depressão, podendo ter o funcionamento dos rins e do cerébro afetados. O mercúrio e o cádmio também são extremamente tóxicos ao organismo humano.

Níveis”Os metais são abundantes na natureza; são inerentes à ela. Eles são parte da composição da crosta terrestre. Em razão disso, todos os metais são encontrados no organismo humano, nas plantas, no solo. Por isso, a OMS estabeleceu níveis máximos desses metais tóxicos que podem estar presentes nos alimentos e remédios fitoterápicos”, explicou a professora Eloísa, doutora em Química Agrícola e Ambiental.

Com acompanhamento médico e a presença de níveis seguros de metais pesados, os fitoterápicos podem servir como terapia alternativa para curar doenças como hipertensão, colesterol alto, problemas de circulação sangüínea, mau funcionamento do intestino. Alguns podem ser usados como suplementos alimentares.

É comum as pessoas tomarem fitoterápicos por conta própria por acharem que, por serem feitos a partir de plantas, são remédios inofensivos. Mas, de acordo com especialistas, isso é um erro. “Qualquer automedicação tem riscos. A pessoa deve ter acompanhamento médico para tomar fitoterápicos”, alerta o dr. Hélio Bergo, presidente da Associação Médica de Homeopatia.

A economista Andréia Paula Tavares, 33 anos, moradora da Asa Sul, começou a tomar alcachofra por recomendação médica. O uso da planta auxilia na digestão dos alimentos e reduz os níveis de colesterol. “No começo, eu tomava porque o médico me indicou para melhorar a minha digestão. Depois, continuei tomando por conta própria, porque fiquei sabendo que essa planta ajuda a queimar gordura”, conta a economista. Segundo ela, o uso do medicamento não lhe causou nenhum efeito colateral.

DúvidaA arquiteta Nida Chalegre, 48 anos, usou durante um mês o gingko biloba para tratar problemas decorrentes do estresse, como queda de cabelos e alterações de humor. “Eu realmente melhorei, mas não sei se foi o remédio ou se a doença passou com o tempo. Tenho dúvidas quanto aos remédios alternativos. Não existe um estudo muito preciso sobre a eficácia deles. Quem os consome acaba sendo uma cobaia”, observou Nida, que mora na Asa Norte.

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    29/05/2004 0h00

    Pesquisa inédita no Brasil, realizada pela Universidade de Brasília (UnB), detectou níveis altíssimos de metal pesado em amostras de castanha da Índia, que em alguns casos chegaram a apresentar 148 vezes mais chumbo que o limite estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo a professora Eloísa Caldas, coordenadora da pesquisa, “o valor encontrado foi tão alto que pode representar risco para a saúde humana”.

    A professora e sua equipe analisaram os dez medicamentos fitoterápicos (feitos à base de plantas medicinais) mais consumidos no Distrito Federal. Os outros nove medicamentos pesquisados, no entanto, estão de acordo com os parâmetros considerados inofensivos pela OMS.

    Estudos semelhantes realizados em outros países revelaram a presença dos metais cádmio, mercúrio e chumbo em plantas medicinais. Foi daí que surgiu a iniciativa de realizar a pesquisa no Brasil. “Existem vários trabalhos publicados em outros países que indicam a presença de metais pesados nesses medicamentos fitoterápicos. Por isso, nós decidimos fazer um rastreamento dos níveis desses metais nos medicamentos mais consumidos no Distrito Federal”, disse a professora Eloísa.

    AmostrasForam pesquisadas 120 amostras de alcachofra, berinjela, cáscara sagrada, castanha da Índia, centella asiática, clorella, espinheira santa, gingko biloba, ginseng e guaraná, vendidas nas farmácias do Plano Piloto.

    Em três amostras de castanha da Índia foram encontrados até 1.480 microgramas de chumbo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estipula o nível máximo desse metal nos alimentos e medicamentos em dez microgramas para cada quilo do produto, ou seja, foram encontrados 148 vezes mais chumbo na castanha da Índia do que o máximo recomendável.

    O uso freqüente de alimentos ou medicamentos com grandes concentrações de chumbo pode provocar danos irreversíveis ao sistema nervoso, além de vulnerabilizar o sistema imunológico contra bactérias e vírus. Os primeiros sintomas de contaminação por esse metal são dor de cabeça, dores musculares, fadiga, emagrecimento, vômitos, anemia e dificuldade de concentração.

    Num nível de intoxicação maior, o indivíduo tem perda de memória, irritabilidade, vertigens e depressão, podendo ter o funcionamento dos rins e do cerébro afetados. O mercúrio e o cádmio também são extremamente tóxicos ao organismo humano.

    Níveis”Os metais são abundantes na natureza; são inerentes à ela. Eles são parte da composição da crosta terrestre. Em razão disso, todos os metais são encontrados no organismo humano, nas plantas, no solo. Por isso, a OMS estabeleceu níveis máximos desses metais tóxicos que podem estar presentes nos alimentos e remédios fitoterápicos”, explicou a professora Eloísa, doutora em Química Agrícola e Ambiental.

    Com acompanhamento médico e a presença de níveis seguros de metais pesados, os fitoterápicos podem servir como terapia alternativa para curar doenças como hipertensão, colesterol alto, problemas de circulação sangüínea, mau funcionamento do intestino. Alguns podem ser usados como suplementos alimentares.

    É comum as pessoas tomarem fitoterápicos por conta própria por acharem que, por serem feitos a partir de plantas, são remédios inofensivos. Mas, de acordo com especialistas, isso é um erro. “Qualquer automedicação tem riscos. A pessoa deve ter acompanhamento médico para tomar fitoterápicos”, alerta o dr. Hélio Bergo, presidente da Associação Médica de Homeopatia.

    A economista Andréia Paula Tavares, 33 anos, moradora da Asa Sul, começou a tomar alcachofra por recomendação médica. O uso da planta auxilia na digestão dos alimentos e reduz os níveis de colesterol. “No começo, eu tomava porque o médico me indicou para melhorar a minha digestão. Depois, continuei tomando por conta própria, porque fiquei sabendo que essa planta ajuda a queimar gordura”, conta a economista. Segundo ela, o uso do medicamento não lhe causou nenhum efeito colateral.

    DúvidaA arquiteta Nida Chalegre, 48 anos, usou durante um mês o gingko biloba para tratar problemas decorrentes do estresse, como queda de cabelos e alterações de humor. “Eu realmente melhorei, mas não sei se foi o remédio ou se a doença passou com o tempo. Tenho dúvidas quanto aos remédios alternativos. Não existe um estudo muito preciso sobre a eficácia deles. Quem os consome acaba sendo uma cobaia”, observou Nida, que mora na Asa Norte.

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