O combate ao câncer de mama também inclui a realização de exames para diagnóstico precoce. As duas formas mais indicadas para a descoberta desse tipo de câncer são o exame clínico das mamas e a mamografia. “O rastreamento do câncer de mama feito por meio da mamografia, com periodicidade de um a três anos, reduz significativamente a mortalidade em mulheres de 50 a 69 anos”, ressalta Roseli.
O Inca recomenda que o exame clínico das mamas seja realizado a cada três anos pelas mulheres com menos de 35 anos, a cada dois anos pelas mulheres entre 35 e 39 anos, e anualmente pelas mulheres a partir de 40 anos. Já a mamografia deve ser realizada uma vez a cada dois anos por mulheres entre 50 e 69 anos de idade. Para as que têm risco elevado, a mamografia deve ser realizada anualmente a partir dos 35 anos de idade. “Esse exame permite descobrir o câncer de mama quando o tumor é bem pequeno e ainda não é percebido na palpação”, explica a chefe da divisão.
Roseli lembra que, em abril deste ano, o governo lançou o Consenso Brasileiro de Mama, atualmente em fase de preparação para implantação. Trata-se de um documento que norteará a política nacional para o controle do câncer de mama. “É um momento de avaliação e adequação da estrutura do Sistema Único de Saúde e de definir estratégias para começar, no próximo ano, a realização do rastreamento do câncer de mama em todos os estados”, afirma a coordenadora. “A idéia é convocar todas as mulheres de 50 a 69 anos para fazer a mamografia”, conta.
Em relação à recuperação da auto-estima das mulheres, o Ministério da Saúde recomenda a reconstituição mamária em todas as pacientes que fizeram a cirurgia de retirada do seio para combater o câncer de mama. “Em alguns lugares, as pacientes já têm acesso à cirurgia de reconstituição mamária pelo SUS”, destaca Roseli.
Já o diagnóstico precoce do câncer de cólon e reto é dificultado pela ocorrência tardia dos sintomas e pelo preconceito que existe contra os métodos de diagnóstico. “Existem vários exames disponíveis para rastrear o câncer coloretal, mas a necessidade desses testes deve ser discutida com o médico”, salienta a coordenadora.
Embora essa doença possa ocorrer em qualquer idade, mais de 90% dos casos acontecem em pessoas com mais de 40 anos. Os riscos de se desenvolver esse tipo de câncer podem ser reduzidos com a remoção de pólipos intestinais por meio de um procedimento chamado colonoscopia e de uma dieta rica em fibras e pobre em gordura. É preciso estar atento para mudanças no funcionamento intestinal e aparecimento de sangue nas fezes.
O câncer de ovário, por sua vez, é o mais difícil de ser diagnosticado. As mulheres com fatores de risco devem, depois dos 40 anos de idade, se submeterem a exames mais específicos para detecção desses tumores. “A presença de cistos no ovário, bastante comum entre as mulheres, não deve ser motivo para pânico. O perigo só existe quando eles são maiores do que dez centímetros de diâmetro e possuem áreas sólidas e líquidas”, explica Roseli. “Se a doença for detectada no início – especialmente nas mulheres mais jovens –, é possível remover somente o ovário. Os tumores menores são mais fáceis de curar”, ressalta.