O estudo do urologista Thomas Stamey e sua equipeestá provocando debate. Afinal, o teste era um dos exames mais conhecidos para prever o problema. Não tão definitivos quanto Stamey, outros cientistas afirmam que não dá para descartar o exame, muito embora concordem que ele não seja suficiente para detectar com clareza o tumor.
É o caso, por exemplo, William Catalona, professor do Departamento de Urologia da Escola de Medicina Northwestern Feinberg. Para ele, o PSA pode ser utilizado no diagnóstico do câncer de próstata desde que seja feito paralelamente a outros exames, a exemplo do toque digital ou do ultra-som.
Stamey, por sua vez, não é tão radical a ponto de sugerir que se abandone de vez o exame, contudo, se acha no dever de informar sobre alguns problemas a ele relacionados. Há diversos outros fatores que podem elevar o nível do antígeno para além do considerado normal. Ele dá como exemplo uma ejaculação dois dias antes do exame de sangue que, de acordo com suas novas idéias, pode levar a conclusões errôneas.
riscoO médico argumenta ainda que a função do PSA nunca foi mesmo a de indicar o câncer, mas sim de tentar revelar o risco da pessoa tê-lo. Por isso, mesmo apos resultados positivos, os médicos ainda recorrem à biópsia para verificar a ocorrência do câncer de próstata. E é aí que reside o problema. Além do elevado número de cirurgias desnecessárias, há grandes chances de a biópsia encontrar câncer, mas isso não significa exatamente um problema.
O câncer de próstata, explica o urologista norte-americano, é o mais comum tipo de câncer masculino. “Todo homem, se viver o suficiente, terá câncer de próstata”, diz. Mais do que uma doença, trata-se de uma predisposição genética que afeta todos os homens.
No estudo que realizaram com 1,6 mil amostras, os cientistas de Stanford concluíram que o exame de PSA pode ser válido, por exemplo, para indicar o tamanho da glândula prostática.
Mas, os cientistas ainda apontam outros benefícios que o teste de PSA traz, como por exemplo, o monitoramento de pacientes após a remoção da próstata. O exame pode indicar a existência do câncer residual, ou seja aquele tumor que pode ter se espalhado em outras partes do corpo do paciente.
retalE aí surge a pergunta. Se o estudo joga dúvidas sobre o teste do PSA, que exame fazer para detectar o problema? Stamey cai aqui no lugar comum. Para ele, a melhor solução ainda é o tradicional exame de toque digital (retal). “Um nódulo duro, palpável, é quase sempre sinal de câncer, independentemente do nível de PSA”, esclarece.