A 37ª Edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que vai ocorrer de 23 a 30 de novembro, irá refletir o aumento da produção cinematográfica da capital. Dos 12 curtas em 35mm, três são do Distrito Federal: O Som, As Mãos e o Tempo, de Marcos de Souza Mendes; O Último Raio de Sol, de Bruno Torres; e Viva Cassiano, de Bernardo Bernardes.
Entre os 20 curtas em 16mm, seis foram produzidos aqui. Da Utilidade dos Animais, de Betânia Veiga; Extrusos, de Marcelo Díaz; Filme Triste, de Denise Moraes; Maria Morango, de Érico Luís Cunha Cazarré; Seqüestramos Augusto César, de Guilherme Campos; e Só Sofia, de Adriana Vasconcelos.
O secretário de Cultura, Pedro Bório, avalia que esse novo cenário é o resultado do aumento da verba destinada ao cinema. Vladimir Carvalho, cineasta, lembra que antigamente, os filmes nem sequer eram selecionados em Brasília. “O festival era da capital, mas tudo ocorria no Rio de Janeiro. Não havia nenhum vestígio do cinema brasiliense”, afirma. “Eu, como observador desse processo, fico exultante com a nova realidade, com os trabalhos dos novos cineastas”, disse.
Vladimir Carvalho será homenageado pelo festival neste ano, com a exibição do longa São Saruê, restaurado e remasterizado. A sessão especial será dia 26 de novembro, às 15h30, no Cine Brasília. No mesmo dia e local, às 17h, será exibido o documentário Vladimir Carvalho, Conterrâneo Velho de Guerra, de Dácia Ibiapina.
Troféu Além dos curtas que disputam os prêmios, a produção brasiliense concorre ao troféu Câmara Legislativa, com destaque para os filmes Dom Helder Câmara – O Santo Rebelde, de Erika Bauer; Araguaya – A Conspiração do Silêncio, de Ronaldo Duque; e As Vidas de Maria, de Renato Barbieri, filme que será exibido na solenidade de abertura, na noite do dia 23 de novembro, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional.
“Estou ansioso com a exibição. As Vidas de Maria é meu primeiro longa de ficção”, explica Barbieri, documentarista há 21 anos e diretor de Atlântico Negro, Na Rota dos Orixás e Malagrida. O filme está em fase final de mixagem e custou R$ 1 milhão. “É um filme caro porque vai da década de 60 até os dias de hoje”, conta.
O último filme de Afonso Brazza, cineasta-bombeiro que morreu no ano passado, está sendo aguardado desde o festival de 2003, mas não ficou pronto. “Teremos que esperar mais um pouco para assistir à Fuga Sem Destino”, disse Fernando Adolfo, diretor do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
Uma novidade em relação à premiação é que surgiram duas novas categorias. A de melhor ator e melhor atriz para os curtas em 16 mm. As atividades paralelas à exibição dos filmes ainda não estão com a programação definida. Sabe-se que haverá oficinas de roteiro com Di Moretti e David Mendes; oficina de roteiro no documentário, com Joel Pizzini; oficina de interpretação para cinema e tv com Mallú Moraes; encontro do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro; Seminário da Revista Cinemais e a segunda edição do Mercado do Filme Brasileiro, no Hotel Nacional.