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Está ficando animadíssimo

Arquivo Geral

27/05/2004 0h00

Acionaram Agatha Christie em Celebridade: enfim, um clima de mais mistério em torno de um crime não-solucionado começa a dar mais sabor ao folhetim do horário nobre da Globo.

Faz tempo que o telespectador dessa faixa de novelas não vivencia, digamos assim, uma emoção mais forte ou menos banal. Depois que a classe dos dependentes de novela – deve existir essa patologia – já descobriu quem matou Salomão Rayala, quem tirou Odete Roitman do mundo e quem era o assassino-em-série de A Próxima Vítima, não faz sentido ficar sem saber quem tirou a vida de Lineu Vasconcelos (Hugo Carvana).

Foi em torno de Lineu, afinal, que se criou boa parte da fauna, flora e minerália de Celebridade. Se não existisse o poderoso Grupo Vasconcelos, tanto os membros da legião quanto os da corja também teriam suas histórias esvaziadas. De onde teriam surgido a avassaladora Maria Clara (Malu Mader), a aprendiz de Bette Davis Laura (Claudia Abreu), a oportunista Darlene (Deborah Secco), o boa-praça Fernando (Marcos Palmeira) e tantos outros mais?

Esse crime não pode sair barato, e pega embalo em outro mistério por resolver – a morte de Queiroz (Otávio Muller) –, para esquentar a história. Especialmente porque, além do fato de essas mortes parecerem intimamente ligadas, são vários os suspeitos a disputar o raciocínio do telespectador.

Agora o bicho vai pegar para Inácio (Bruno Gagliasso). Por alguma razão ainda obscura para minha compreensão de mortal comum, ele estava bastante alterado no dia do assassinato de seu avô Lineu, e foi instruído a dizer que estava em companhia do paizão Fernando. Como mentira tem pernas curtas, sua situação vai complicar a partir do depoimento da empregada – que, sem maldade nenhuma, contará à polícia, quando for interrogada, que Inácio não dormiu em casa naquela noite fatídica.

Quem sabe sob esse foco o personagem adquire mais substância? Cá entre nós – aliás, não me parece que isso seja segredo –, o que Inácio tem de belo, também tem de bobão. É do bem, mas tem sido um considerável zé-mané pelo conjunto da obra. Para pegar no tranco, precisa de uma sacudida – além da revelação, que um dia virá, de que não é filho de Fernando.

Tudo faz crer que a largada foi dada não só para dar mais razão de ser a Inácio, mas também para injetar emoção na história. Celebridade, parece, está tomando rumo. Mas a forma verbal mais apropriada para definir esse rumo ainda é a “parece”. Linearidade e novela não costumam andar de braços dados. Ainda mais no horário nobre, que representa para o anunciante o mesmo que para um leão significa estar à beira do lago onde os outros animais vão saciar a sede: comida à vista. Se for conveniente, a história pode ganhar gordurinhas.

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    27/05/2004 0h00

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    Faz tempo que o telespectador dessa faixa de novelas não vivencia, digamos assim, uma emoção mais forte ou menos banal. Depois que a classe dos dependentes de novela – deve existir essa patologia – já descobriu quem matou Salomão Rayala, quem tirou Odete Roitman do mundo e quem era o assassino-em-série de A Próxima Vítima, não faz sentido ficar sem saber quem tirou a vida de Lineu Vasconcelos (Hugo Carvana).

    Foi em torno de Lineu, afinal, que se criou boa parte da fauna, flora e minerália de Celebridade. Se não existisse o poderoso Grupo Vasconcelos, tanto os membros da legião quanto os da corja também teriam suas histórias esvaziadas. De onde teriam surgido a avassaladora Maria Clara (Malu Mader), a aprendiz de Bette Davis Laura (Claudia Abreu), a oportunista Darlene (Deborah Secco), o boa-praça Fernando (Marcos Palmeira) e tantos outros mais?

    Esse crime não pode sair barato, e pega embalo em outro mistério por resolver – a morte de Queiroz (Otávio Muller) –, para esquentar a história. Especialmente porque, além do fato de essas mortes parecerem intimamente ligadas, são vários os suspeitos a disputar o raciocínio do telespectador.

    Agora o bicho vai pegar para Inácio (Bruno Gagliasso). Por alguma razão ainda obscura para minha compreensão de mortal comum, ele estava bastante alterado no dia do assassinato de seu avô Lineu, e foi instruído a dizer que estava em companhia do paizão Fernando. Como mentira tem pernas curtas, sua situação vai complicar a partir do depoimento da empregada – que, sem maldade nenhuma, contará à polícia, quando for interrogada, que Inácio não dormiu em casa naquela noite fatídica.

    Quem sabe sob esse foco o personagem adquire mais substância? Cá entre nós – aliás, não me parece que isso seja segredo –, o que Inácio tem de belo, também tem de bobão. É do bem, mas tem sido um considerável zé-mané pelo conjunto da obra. Para pegar no tranco, precisa de uma sacudida – além da revelação, que um dia virá, de que não é filho de Fernando.

    Tudo faz crer que a largada foi dada não só para dar mais razão de ser a Inácio, mas também para injetar emoção na história. Celebridade, parece, está tomando rumo. Mas a forma verbal mais apropriada para definir esse rumo ainda é a “parece”. Linearidade e novela não costumam andar de braços dados. Ainda mais no horário nobre, que representa para o anunciante o mesmo que para um leão significa estar à beira do lago onde os outros animais vão saciar a sede: comida à vista. Se for conveniente, a história pode ganhar gordurinhas.

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