Menu
Promoções

Esquizofrenia é alvo de estudo brasileiro

Arquivo Geral

23/10/2004 0h00

Apoderosa mente humana costuma pregar peças em pessoas que não conseguem se adaptar ao mundo, não suportam pressões mais intensas ou mesmo têm algum problema orgânico. Entre as muitas doenças mentais, uma das mais traiçoeiras é a esquizofrenia. Nela, o indíviduo passa por fases de falta de concentração, isolamento, até chegar ao ápice da enfermidade, tendo conversas irreais, assumindo outras personalidades e até reações mais agressivas, entre outros comportamentos.

Apesar de ser uma doença bastante conhecida, pouco se sabe sobre as suas causas. Há dois anos os pesquisadores do Laboratório de Neurociências do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP realizam estudos para identificar alterações no DNA, no RNA e nas proteínas de pessoas com esquizofrenia. Segundo informações da agência de notícias da USP, o objetivo é exatamente tentar compreender o que é que motiva a doença para que os especialistas possam fazer um diagnóstico mais preciso dela.

“Até hoje, o diagnóstico é feito a partir de conversas com o paciente e com seus familiares. E como a esquizofrenia é uma doença muito complexa, não dá para ter muita precisão sem o desenvolvimento de padrões numéricos”, comenta Emmanuel Dias Neto, vice-diretor do Laboratório, e um dos responsáveis pela pesquisa.

DNAUm dos aspectos que estão sendo estudados é a presença de nucleotídeos polimórficos – quando uma determinada seqüência de DNA apresenta discrepâncias em relação ao que seria esperado encontrar. “Pesquisamos em bancos de dados mundiais e, ao contrário de outros trabalhos, que olham para um ou dois genes, estamos trabalhando com 50, dada a complexidade da doença”, conta O pesquisador da USP.

Os genes foram escolhidos com base em trabalhos anteriores que mostravam a existência de regiões do genoma humano ligadas à doença – mas que não conheciam os genes que lá estavam. “Era como se alguém dissesse: no capítulo 3 daquele livro tem uma informação importante, mas não sabemos qual”, compara o professor.

Outros trabalhos, no entanto, diziam que a esquizofrenia tinha origem em problemas sutis de neurodesenvolvimento. “Cruzamos as duas informações e selecionamos os genes polimórficos que são ligados à neurogênese e mapeados nas regiões suspeitas do genoma”.

Numa outra parte do trabalho, pesquisadores estão extraindo RNA (molécula-irmã do DNA que também carrega informação genética) de cérebros humanos. “Recebemos amostras do banco de cérebros do Instituto Central de Saúde Mental de Mannheim, da Universidade de Heidelberg, na Alemanha”, conta Emmanuel Dias.

    Você também pode gostar

    Esquizofrenia é alvo de estudo brasileiro

    Arquivo Geral

    23/10/2004 0h00

    Apoderosa mente humana costuma pregar peças em pessoas que não conseguem se adaptar ao mundo, não suportam pressões mais intensas ou mesmo têm algum problema orgânico. Entre as muitas doenças mentais, uma das mais traiçoeiras é a esquizofrenia. Nela, o indíviduo passa por fases de falta de concentração, isolamento, até chegar ao ápice da enfermidade, tendo conversas irreais, assumindo outras personalidades e até reações mais agressivas, entre outros comportamentos.

    Apesar de ser uma doença bastante conhecida, pouco se sabe sobre as suas causas. Há dois anos os pesquisadores do Laboratório de Neurociências do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP realizam estudos para identificar alterações no DNA, no RNA e nas proteínas de pessoas com esquizofrenia. Segundo informações da agência de notícias da USP, o objetivo é exatamente tentar compreender o que é que motiva a doença para que os especialistas possam fazer um diagnóstico mais preciso dela.

    “Até hoje, o diagnóstico é feito a partir de conversas com o paciente e com seus familiares. E como a esquizofrenia é uma doença muito complexa, não dá para ter muita precisão sem o desenvolvimento de padrões numéricos”, comenta Emmanuel Dias Neto, vice-diretor do Laboratório, e um dos responsáveis pela pesquisa.

    DNAUm dos aspectos que estão sendo estudados é a presença de nucleotídeos polimórficos – quando uma determinada seqüência de DNA apresenta discrepâncias em relação ao que seria esperado encontrar. “Pesquisamos em bancos de dados mundiais e, ao contrário de outros trabalhos, que olham para um ou dois genes, estamos trabalhando com 50, dada a complexidade da doença”, conta O pesquisador da USP.

    Os genes foram escolhidos com base em trabalhos anteriores que mostravam a existência de regiões do genoma humano ligadas à doença – mas que não conheciam os genes que lá estavam. “Era como se alguém dissesse: no capítulo 3 daquele livro tem uma informação importante, mas não sabemos qual”, compara o professor.

    Outros trabalhos, no entanto, diziam que a esquizofrenia tinha origem em problemas sutis de neurodesenvolvimento. “Cruzamos as duas informações e selecionamos os genes polimórficos que são ligados à neurogênese e mapeados nas regiões suspeitas do genoma”.

    Numa outra parte do trabalho, pesquisadores estão extraindo RNA (molécula-irmã do DNA que também carrega informação genética) de cérebros humanos. “Recebemos amostras do banco de cérebros do Instituto Central de Saúde Mental de Mannheim, da Universidade de Heidelberg, na Alemanha”, conta Emmanuel Dias.

      Você também pode gostar

      Assine nossa newsletter e
      mantenha-se bem informado