Apersonagem é envolvente. Americana, destemida e espiã da KGB em plena década de 30. Mas o melhor é que ela é real. E se chama Elizabeth Bentley.
A biografia dessa mulher acaba de chegar às livrarias e conta, em 479 páginas, a história instigante que ela viveu entre os comunistas infiltrados nos Estados Unidos e seus informantes para lá de poderosos. Elizabeth Bentley – Uma Espiã Americana a Serviço da KGB foi escrito por Lauren Kessler, diretora do programa de pós-graduação em não-ficção literária na Universidade de Oregon e autora de outros dez importantes livros.
Diante da formação que recebeu do pai, comerciante religioso, e da mãe, professora com desenvolvido espírito social, jamais se poderia prever que Elizabeth Bentley seria uma mulher a entrar na história. Seus codinomes, disfarces, amantes e viagens deixaram para trás a formação acadêmica impecável.
Ela estudou na famosa escola Vassar, em Nova York. Foi uma garota privilegiada, já que naquela época pouquíssimas mulheres freqüentavam a universidade e um número menor ainda entrava nessa, que era considerada uma das faculdades femininas mais elitistas do país.
Elizabeth estudou italiano na Europa, onde descobriu os prazeres do sexo, da noite, da bebida e do cigarro. Para ela, Roma era emocionante. Florença, magnífica. Foi aí que Elizabeth começou a trilhar os caminhos que a levaram a viver uma vida muito maior do que aquela para a qual nasceu. Na volta aos Estados Unidos, descobriu que os efeitos sociais da Grande Depressão levaram para o lixo seus estudos. Trabalhou em vários subempregos para poder comer e ter onde morar. Estava sozinha. Seus pais tinham morrido.
Aí, lembrou-se e revoltou-se ao perceber a realidade de uma das lições mais importantes que recebeu de sua mãe: que a ganância e a busca do lucro estão por trás de grande parte do sofrimento do mundo.
O envolvimento com a causa socialista foi inevitável. Eles tornaram-se a família da jovem desiludida. Eram os únicos amigos, os camaradas. Um dia, conheceu Yasha, o homem que a ensinou a viver e a sobreviver da clandestinidade. E assim ela passou parte de sua vida, sendo considerada, no final traidora, mercenária, exibicionista, manipuladora e até manipulada. A conclusão é uma só: ela foi uma mulher que incomodou.