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Espinhosa sina judaica

Arquivo Geral

15/10/2003 0h00

O nome Shoá pode até soar prazeroso para um brasileiro – lembra o som de uma cachoeira, quem sabe? –, mas qualquer judeu de cada cantinho deste mundo sabe que a palavra, em hebraico equivalente a catástrofe, remete a uma dor entranhada na cultura judaica: a do Holocausto. Em A História Geral do Anti-Semitismo, Gerald Messadié se dedica a discorrer sobre esse tema espinhoso e, para muitos, controverso: o porquê da perseguição milenar que assola o povo judeu no planeta.

Não é o primeiro nem último trabalho sobre o assunto, tratado inclusive no cinema em obras como O Diário de Anne Frank, A Vida é Bela e A Lista de Schindler, entre outros. Mas um diferencial a publicação já apresenta, de cara: o autor não é judeu. “Minha ambição foi apresentar ao leitor comum uma história racional do anti-semitismo”, avisa. “É a única maneira de oferecer a cada um as chaves de uma síntese. Não temos necessidade de fatos novos, mas sim dessas chaves”.

Pesquisador da origem de crenças contemporâneas, Gerald Messadié fala sobre o tema do alto de sua isenção diante de um tema que emociona até quem não tem meio mililitro sequer de sangue judaico a correr nas veias – e no mundo latino isso é meio difícil, a considerar a imensa leva de cristãos-novos que só oficialmente “diluíram” sua origem por uma óbvia questão de sobrevivência nova vida. Para tanto, ele desconstrói toda espécie de folclore.

“Não existe um só anti-semitismo, mas vários”, atenta. Para Messadié (que também escreveu Sócrates e Xantipa: Um Crime em Atenas), a maioria das proposições disponíveis sobre o anti-semitismo, pelo menos até este momento, peca pelo caráter reducionista e até falso, “a mais ou menos longo prazo”. Nesse universo, pelo menos três focos nítidos do fenômeno podem ser identificados.

O primeiro é o mundo greco-romano, onde o judaísmo foi visto como subversivo por eliminar a divindade do imaginário humano, recusando, portanto, todo o sistema religioso vigente de então. O segundo foco é o Cristianismo, com o qual os judeus entraram em conflito por não reconhecer o conceito “Filho de Deus.” O terceiro momento consistente é o anti-semitismo moderno, em que os Estados-Nação rejeitaram a comunidade judaica por não participar da cultura e formação de identidade nacionais. O fato é que os judeus resistem. Nada a ver com a política de Ariel Sharon. Questão de cultura, que não se joga fora.

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    Não é o primeiro nem último trabalho sobre o assunto, tratado inclusive no cinema em obras como O Diário de Anne Frank, A Vida é Bela e A Lista de Schindler, entre outros. Mas um diferencial a publicação já apresenta, de cara: o autor não é judeu. “Minha ambição foi apresentar ao leitor comum uma história racional do anti-semitismo”, avisa. “É a única maneira de oferecer a cada um as chaves de uma síntese. Não temos necessidade de fatos novos, mas sim dessas chaves”.

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    “Não existe um só anti-semitismo, mas vários”, atenta. Para Messadié (que também escreveu Sócrates e Xantipa: Um Crime em Atenas), a maioria das proposições disponíveis sobre o anti-semitismo, pelo menos até este momento, peca pelo caráter reducionista e até falso, “a mais ou menos longo prazo”. Nesse universo, pelo menos três focos nítidos do fenômeno podem ser identificados.

    O primeiro é o mundo greco-romano, onde o judaísmo foi visto como subversivo por eliminar a divindade do imaginário humano, recusando, portanto, todo o sistema religioso vigente de então. O segundo foco é o Cristianismo, com o qual os judeus entraram em conflito por não reconhecer o conceito “Filho de Deus.” O terceiro momento consistente é o anti-semitismo moderno, em que os Estados-Nação rejeitaram a comunidade judaica por não participar da cultura e formação de identidade nacionais. O fato é que os judeus resistem. Nada a ver com a política de Ariel Sharon. Questão de cultura, que não se joga fora.

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