Os admiradores do jazz têm um programa imperdível para esta semana. Importantes nomes do gênero apresentam clássicos dos anos 20 e 30, no Festival Jazz Brasília, de hoje a quarta-feira, a partir das 21h, no Academia Music Hall. O festival vai privilegiar o dixieland jazz e o ragtime, vertente que caracteriza o nascimento do gênero em New Orleans (EUA), sob influências do blues e da música erudita européia.
A abertura do festival fica por conta da cantora uruguaia María Noel Taranto, que se consolidou como vocalista de jazz integrando grupos como Ensemble de Jazz Francês e La Memphis Jazz Band. O gosto pelo estilo surgiu na infância, quando María Taranto escutava músicas negras norte-americanas. Atualmente, a cantora apresenta-se com o grupo Bonus Track e prepara a gravação de um álbum com canções estandardes.
A primeira noite do Jazz Brasília vai trazer também uma cantora e pianista californiana que se define como “quase brasileira”. Judy Carmichael esteve pela primeira vez no Brasil na década de 80, quando conheceu o escritor Fernando Sabino. “Ele me apresentou a Tom Jobim, que passei a admirar por causa da Bossa Nova”, contou a instrumentista ao Jornal de Brasília.
Desde então, Judy, que teve como principal influência o ícone Fats Waller, visita o País freqüentemente. “Em uma das vezes que estive no Brasil, conheci Oscar Niemeyer e toquei em Brasília”, lembra a cantora, que se destaca por integrar a turma do stride piano, vertente do jazz em que o piano faz as vezes de uma orquestra. “O instrumento faz tudo sozinho e o músico tem mais autonomia, já que desenvolve arranjos e harmonias só para o piano”, explica.
Amanhã é a vez do grupo argentino Creole Jazz Band e do norte-americano Bob Wilber subirem aos palcos. Criada em 1957, a Creole Jazz Band foi batizada com esse nome para homenagear a Jazz Creole Jazz Band, de Joe King Olivier, de New Orleans, da qual fazia parte Louis Armstrong. Com seis discos gravados, a banda se destaca principalmente pela voz de Oscar Linero, que também atua como percussionista. Desde a criação, o grupo privilegia o jazz da década de 30, recriando temas clássicos como Sweet Georgia Brown e When the Saints Go Marchin, além de apresentar composições próprias.
Após a banda argentina, o músico Bob Wilber, autor da trilha sonora original do filme The Cotton Club (Coppola), mostra versatilidade com o clarinete e que lhe rendeu um Grammy em 1986. Nascido em 1928, Bob estudou com o saxofonista Sidney Bechet e o pianista Lennie Tristano. Pouco tempo depois, formou o The Six, grupo que misturava o som tradicional e conceitos modernos do jazz. Na década de 80, tornou-se diretor musical do Smithsonian Jazz Repertory Ensemble e publicou sua autobiografia, intitulada Music Was Not Enough.
No feriado, o público brasiliense terá um jazz à mineira. A All Stars Jazz Band, de Belo Horizonte, vai apresentar o jazz dos anos 20 e o swing dos anos 30. “O público brasileiro é muito carente deste estilo tradicional do jazz”, analisa o trompetista e vocalista Marcelo Costa. Segundo ele, a banda foi criada no início deste ano, mas os músicos Írio Júnior (piano), Lúcio Costa (contrabaixo), o inglês Nik Payton (clarinete e saxofone) e o dinamarquês Bo Hilbert (bateria) já trabalharam juntos em outros grupos.
Para finalizar o 1º Jazz Brasília, a banda uruguaia Ensemble de Jazz Francês mostra a recriação que faz do estilo swing manouche dos ciganos franceses, principalmente do Hot Club de France. Formado por Edison Mouriño (violino), Carlos Gómez (violão rítmico), Rodolfo Lluberas (contrabaixo) e Angel Varela Rey (violão solo), o grupo utiliza exclusivamente instrumentos de corda para ser fiel ao modelo original, composto por violino, violão solo, violão rítmico e contrabaixo.