Quem vê Carlos Vereza em Começar de Novo, como um marido controlador e político sem escrúpulos, nem imagina que por trás daquela aparência sisuda está um homem que desenvolve um trabalho social e espiritual, num centro kardecista de Jacarepaguá.
“Estou pretendendo ser espírita, mas é muita pretensão minha dizer que sou um. Freqüento há 15 anos o Lar de Frei Luiz e continuo tendo uma visão crítica-social, porque eu já fui do Partido Comunista, com muita honra. Nesse tempo no lar kardecista ganhei uma visão mais abrangente de tudo na vida”, diz o ator de 65 anos.
Vereza chegou ao Lar de Frei Luiz após dois anos e meio de depressão e labirintite. Sete meses depois de conhecer o local, ele conseguiu colocar sua vida em ordem. Hoje, Vereza desenvolve trabalhos com 150 crianças e 70 idosos. Tudo de graça.
“Vivemos de doações. Mas lá não tem aquela coisa de ou paga ou vai para o inferno”, avisa o ator, que já passou por diversas experiências mediúnicas no local: “Tenho provas de mensagens de pessoas que já desencarnaram, de tias minhas, mensagens incríveis nas quais os espíritos mandam até numero de telefone para que as pessoas se comuniquem com parentes. Já assisti a umas 30 materializações, em que o espírito não incorpora, mas aparece como se fosse uma pessoa encarnada”.
A serenidade de Vereza só termina quando o assunto vai para a política. Irritado com o atual governo, Vereza promete até subir em palanque contra o presidente Lula: “Lula é uma invenção dos intelectuais com complexo de culpa da Unicamp e da USP. Ele tem um ego como jamais vi na vida. Collor perto dele é uma Branca de Neve”.
Voltando à fantasia da TV, Vereza diz que sabe exatamente qual o tom que usa para compor seus vilões, como Ademar, prefeito inescrupuloso de Começar de Novo: “Procurei humanizá-lo, para não cair no estereótipo do vilão que grita. Eu não falo berrando, sou sempre tranqüilo. A maldade não está no tom da voz, mas no próprio ato. Ademar pode explodir este extintor aqui do corredor e ainda dar boa tarde a todos”.
Mas seu vilão vai sofrer um golpe do destino. Sua mulher, Carmem (Paloma Duarte), vai acabar se envolvendo com o personagem do seriado Eu Amo Rita.
“Reprimida, ela começa a projetar o amor virtual no galã da TV. E Ademar percebe aos poucos o interesse dela pelo ator da série e a proíbe até de falar no nome do Paulo Roberto (Eduardo Galvão) dentro de casa”, diz.