No início dos anos 90, a intenção era apresentar aos próprios artistas um humor engajado. Os encontros ocorriam às terças-feiras, no Núcleo Experimental de Teatro, em São Paulo. Mas os atores Grace Gianoukas, Octávio Mendes, Roberto Camargo e Marcelo Mansfields, idealizadores do projeto, tiveram uma grata surpresa: em um mês não havia mais espaço para tanta gente. E o público extrapolava o meio artístico.
Essa é a história do espetáculo Terça Insana. Assistida por mais de 350 mil pessoas, em 12 estados, a montagem volta a Brasília cinco meses depois de uma temporada com casa lotada. Luis Miranda, Ilana Kaplan e os fundadores apresentam 12 esquetes hoje e amanhã, às 21h, e domingo, às 20, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional.
A novidade desta temporada é a presença de Ilana Kaplan, ausente na última passagem pela capital. Por meio das personagens Glacy Albuquerque e Evelize, ela promove uma reflexão sobre as conseqüências do fumo e os padrões estéticos impostos pela sociedade.
A diretora do espetáculo, Grace Gianoukas, ressalta a importância de abordar problemas sociais: “É função do artista fazer as pessoas refletirem sobre como conduzem suas vidas”. Grace vive a atriz Aline Dorel, que, viciada em Lexotan, relembra a fase áurea de sua carreira ao lado dos melhores diretores do mundo. “Quantos de nós não usamos artifícios para viver?”, questiona Grace, referindo-se ao vício da personagem.
Outras criações da artista são Santa Paciência e Santa Ignorância. A primeira, confidente de Deus durante a criação do universo, questiona a relação nada espiritualizada que os homens têm com o criador. Santa Ignorância, por sua vez, defende os humanos.
Serviço
Terça Insana – Hoje e amanhã, às 21h, e domingo, às 20h, na
Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional. Ingressos a R$ 50 (inteira)
e R$ 30 para doadores de alimento não-perecível.