A Sociedade Brasiliense de Cirurgia Plástica, porém, condena a técnica. “Não sabemos quais são so efeitos colaterais a médio e a longo prazo. O metacril pode fazer mal à saúde se aplicado de forma desordenada”, afirma Adilson Branco, presidente da sociedade.
Márcio Menezes defende a gluteoplastia. “Já realizei o procedimento em mais de 1.500 mulheres e nenhuma delas teve qualquer problema. Nem de inflamação, nem de rejeição, nem de alergia”, afirma o médico. Ele explica que antes do procedimento todas as pacientes são submetidas a um teste alérgico. “Aplico 0,1 mililitro do metacril no braço e observo se ocorre algum processo de reação”, conta.
O uso do metacril em humanos surgiu durante a Segunda Guerra Mundial. Era usado para colar os ossos dos feridos. Quimicamente, ele é “primo” do Superbonder. “Na época da guerra, descobriu-se também que ele estanca hemorragias e que é bacteriostático, ou seja, que não permite o desenvolvimento de bactérias”, complementa Menezes.
Desde a década de 80, o metacril passou a ser usado pela medicina estética. “Portadores de HIV, que perdem muita massa muscular no rosto, aplicam metacril para melhorar o aspecto facial. Outro uso é para corrigir buracos que ficam depois da lipoaspiração”, explica Menezes. Há registro do uso da substância também para o aumento dos lábios. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informa não ter registro para utilização de metacril na glutoplastia. O único pedido de liberação que está em processo no órgão é para uso do metacril no tratamento de rugas.