Até quando a televisão brasileira vai suportar os eternos armadores de sempre? Existem determinados programas que se acostumaram a viver na transgressão, trabalhar na irregularidade e têm como único foco de existência enganar os seus telespectadores. Público, em sua maioria constituído por pessoas humildes, classificado pelos institutos de pesquisas nas classes C,D,E… Não interessa saber se o caso apresentado tem um mínimo de procedência, se é verdadeiro ou não. O que realmente conta é se vai somar alguma coisinha na audiência. Se houver um mínimo de perspectiva de aumentar miseráveis pontinhos no Ibope é colocado no ar sem problema nenhum. Quanto maior o barraco, melhor. Todas as outras conseqüências pouco importam e nunca são avaliadas. Apostam, geralmente, no número de telespectadores que não têm acesso à informação. Gente que acompanha esses programas pelo simples prazer (?) de ver alguma coisa. Às vezes, uma parcela deste mesmo público até percebe que aquilo é armação pura, mas sua cultura, precária, o prende por ali mesmo. Mas o que causa maior espanto é a conivência das emissoras, que se permitem ter a sua imagem associada a este tipo de coisa. Nem mesmo o “ranking da baixaria” ou a ameaça de campanhas junto aos grandes anunciantes, para que não patrocinem mais esses programas, têm servido de intimidação.