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Encontro resgata tradição do cordel com poesia e duelos de cantadores

Arquivo Geral

28/05/2009 0h00

Usado para disseminar a poesia popular, o cordel é uma das principais manifestações culturais do Nordeste. De origem ibérica, essa forma poética de narrar aventuras de personagens famosos da história ocidental acabou ganhando uma cor brasileira, em particular da região nordestina.


Sair de casa com um sonho, colocar na mochila toda uma história e tradições, construir uma capital, viver em um lugar novo, deixar para trás amigos, família e uma realidade que não quer ser esquecida. Foi assim que incontáveis imigrantes nordestinos deixaram sua terra natal e chegaram ao cerrado do Planalto Central para ajudar na construção da cidade que seria o novo lar para a maioria deles.


Com os novos moradores da capital veio uma cultura que cresceu no Nordeste e até hoje deixa os brasilienses intrigados: o cordel! E é exatamente sobre essa literatura que inspirou o Primeiro Encontro Nordestino de Cordel de Brasília.


Shows e exposições
O encontro pretende fortalecer as manifestações culturais da região em Brasília, capital que concentra, depois de São Paulo, o maior índice de migrantes nordestinos. O evento terá abertura hoje para convidados e amanhã estará aberto ao público com entrada franca. Terá exposições, debates, shows com cordelistas e o lançamento de um livro.


A literatura de cordel é feita em folhetos e é umas das melhores formas de divulgação da poesia popular. O nome vem da forma como ele era comercializado em feiras, pendurado em cordões, como se fossem roupas. Muito popular na Idade Média, sobretudo em Portugal e Espanha, o gênero ganhou força no nordeste brasileiro, onde conquistou fama e um estilo especial.


Divulgação
Em Brasília, cerca de 20 repentistas e cordelistas fazem apresentações em festas e eventos, mas eles não ganham a vida com poesia e música. “Aqui quem faz cordel ou repente também trabalha com outras coisas. O cordel é como se fosse um bico”, comenta Chico Repentista, um dos cordelistas mais prestigiados da cidade. Chico trabalha ao lado de João Santana e juntos divulgam a cultura nordestina no DF. O cordel chegou à região em 1956 com os primeiros operários que vieram construir a nova capital.


João Santana se orgulha em afirmar que é o único cordelista genuinamente brasiliense. Ele conheceu o repente, ainda menino, porque a mãe tinha discos de repentistas que João gostava de escutar.


“Com o tempo o meu gosto pelo repente foi crescendo”, conta. João conheceu Chico Repentista por meio de um amigo em comum. “Eu fiquei sabendo que o Chico estava procurando uma pessoa para fazer umadupla e então procurei ele. Assim, estamos trabalhando juntos até hoje”, lembra o cantador.

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