Vanessa Gerbelli até tenta justificar as sandices de Elza, a “ladra de criancinhas” que interpreta em Prova de Amor. “Ela não teve amor na infância”, especula. “A história dela é comovente. Ela é estéril”, insiste. Mas após várias tentativas, a própria atriz confessa que não há meios de se convencer de que a vilã da novela das sete da Record não passa de uma esquizofrênica que escolheu o pior caminho como “válvula de escape” para seus problemas. “Não há como defendê-la. A loucura é uma coisa assustadora”, admite.
Apesar de se confessar assustada com as atitudes de total desequilíbrio cometidas por Elza, Vanessa até que teve a chance de preparar-se psicologicamente para “infernizar” a vida de mocinhas e heróis da trama de Tiago Santiago. E resolveu “cercar-se” de loucura por todos os lados. Tudo o que a remetesse a esse universo passou a lhe interessar.
Livros sobre psicóticos, filmes que mostrassem crimes passionais – como Fogueira de Paixão, de Curtis Benhardt – e programas de tevê com tal abordagem, passaram a ser “companhias constantes” da atriz de 32 anos. “Percebi que energia é uma coisa bem palpável. Aprendendo a manipulá-la, dá-se o tom certo a um mocinho ou vilão”, ensina.
Todo o peso que a personagem carrega ao roubar, maltratar e explorar crianças, a atriz tenta equilibrar inserindo uma certa leveza ao interpretá-la. “E isso não é tarefa das mais fáceis”, enfatiza. A saída, segundo ela, foi, junto com o autor, tentar mostrar o lado “patético” da situação, e como Elza está totalmente inserida num universo paralelo. “É quando encontramos pequenas brechas para a comédia. Afinal, estamos no horário das sete”, explica.
Mas as tentativas da atriz de “exorcizar”, de alguma forma, a “doida de pedra” que interpreta, não param por aí. Desde o início da novela, ela passou a praticar ioga, como um antídoto para o estresse e um elixir para o “botão de desliga” da personagem. “Faço todos os dias se possível”, conta. E jura ainda não ter sofrido maiores revoltas do público por conta das malvadezas de Elza. “As pessoas me olham diferente, mas até agora não tive de aturar nenhum maluco confundindo as coisas”, avisa, aos risos.
Na contramão do desequilíbrio da personagem, Vanessa parece bem resolvida a respeito dos perrengues da profissão. Para ela, não há nada melhor do que o contato estreito que o ator faz consigo mesmo durante a construção de um papel, seja ele bom ou ruim. “Assim, podemos nos conhecer melhor”, opina. Por outro lado, ela revela perspectivas pouco animadoras para os atores brasileiros. “Há pouco incentivo para o teatro. O cinema está crescendo, mas ainda há muito o que fazer”, diz.
Independentemente de mostrar-se “pé no chão” com o mundo artístico, Vanessa não deixa de fazer planos e visualizar diferentes tipos que gostaria de interpretar. Explorar a cultura brasileira por meio de papéis que mostrem a força da mulher brasileira é algo que ela anseia fazer.
Após dar muita atenção ao “filho” – como ela considera uma novela –, pretende estrelar a comédia teatral Quem Não Ama Não Mata, de Fernando Guerreiro. Até lá, é ter a certeza de surpreender-se a cada nova maldade de Elza. “Se ela continuar má assim, tende a terminar muito mal. Mas não dá para dizer… Impossível entender cabeça de autor!”, brinca.