O médico Antônio Negrato afirma que é hora de se preocupar com o aumento do diabetes entre as crianças e adolescentes: “Sem dúvida, o avanço da doença entre meninos e meninas é uma nova circunstância a ser enfrentada”.
O especialista acredita que a educação é um bom caminho para impedir que a situação se complique: “Está nítido que um trabalho cada vez mais intenso, integrado e educativo se faz necessário”, acrescenta Negrato – estudioso de grupos de diabéticos há 17 anos, com mais de 400 pacientes atendidos como profissional voluntário da Associação dos Diabéticos.
“No passado, as autoridades de saúde ignoravam a existência de crianças diabéticas, quando sabíamos que já eram cerca de 80 em busca de tratamento”, relata o presidente da associação, engenheiro civil José Roberto Eleutério de Oliveira. “Hoje, depois de algumas batalhas jurídicas e do trabalho de pessoas como o doutor Negrato, elas não só são reconhecidas como, a partir deste ano, recebem do Estado medicamentos de graça por decisão judicial.”
Oliveira destaca que a entidade que preside integra 1.500 associados e acaba de completar 21 anos. “É das mais antigas”, pontua. “Sentindo na pele, aprendemos que também é fundamental o tratamento multidisciplinar, responsável por mobilizar diversos profissionais da saúde, como médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, em torno da mesma causa.” E arremata: “Tanto tempo de vivência nos ensinou que uma pessoa educada para conviver adequadamente com o diabetes praticamente passa a levar uma vida normal”.
premiadaNão por acaso, a pesquisa ininterrupta em educação continuada (forma de transmissão sistemática de conhecimento sobre a doença a pacientes e familiares) rendeu a Carlos Antonio Negrato e sua equipe multiprofissional voluntária a primeira colocação no Congresso Latino-Americano de Diabetes, realizado em 1998 na Colômbia, e o segundo lugar entre cem trabalhos concorrentes inscritos na mais recente edição do encontro, promovida pela Sociedade Latino-Americana de Diabetes, em São Paulo, em setembro deste ano.
vergonhaUm indício de que a conscientização, aliada a ações práticas de apoio ao paciente, nunca foi tão necessária é uma pesquisa com 150 diabéticos divulgada este mês pela Agência Notisa. O trabalho revela: 14% dos pacientes afirmaram ter vergonha de dizer em público que são diabéticos e 60,4% temem passar mal na frente de pessoas desconhecidas.
O estudo foi conduzido pelos pesquisadores Frederico Maia e Levimar Araújo, da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. “O caminho das melhores soluções é a integração entre os interessados no assunto, sejam pacientes, médicos, voluntários e pesquisadores”, conclama Carlos Antonio Negrato. O desafio está, definitivamente, lançado.