Estima-se que 38% das dores de cabeça têm alguma relação com a DTM, Disfunção Têmporo-Mandibular. O distúrbio afeta a articulação responsável pela abertura e fechamento da boca e se manifesta por um conjunto de sintomas.
Cerca de 70% da população apresenta pelo menos um sinal da DTM, que se manifesta por dores na nuca e ombros, cansaço, formigamentos, irritabilidade e dificuldade de concentração. Também estão associados estalos na mastigação, zumbidos no ouvido, rouquidão e nó na garganta. A maior parte das pessoas com DTM não conhece a origem destes sinais.
Para se ter uma idéia, apenas 5% dos que apresentam estes sintomas procura tratamento adequado. Segundo o Dr Leonardo Marchini, cirurgião-dentista formado pela FOSJC-Unesp professor de Desordem Crânio-Mandibular na Univap, em São José dos Campos, a DTM é facilmente confundida com enxaqueca, problemas neurológicos, otite e dores de dente.
Para os pacientes é díficil encontrar rapidamente o tratamento mais preciso. “Ainda é comum a demora para o diagnóstico correto em função dos sintomas, que levam à procura de profissionais de diferentes áreas”, explica o especialista.
A disfunção é causada por fatores diversos, entre eles o estresse, encaixe inadequado dos dentes, hábitos orais, como roer unhas ou ranger os dentes, bruxismo, má postura e respiração bucal. “Dos que procuram tratamento, a maior parte são mulheres entre 20 e 40 anos, embora o problema possa ocorrer em ambos os sexos e em qualquer faixa etária”, afirma a dra Ana Paula Falcão de Moura, cirurgia-dentista pós-graduada pela Universidade de São Paulo – USP.