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Dramas reais levados à telinha

Arquivo Geral

03/07/2004 0h00

As cenas de violência que estão sendo vistas em Senhora do Destino não são coisa de novela. Quem viveu a ditadura militar no Brasil sabe bem disso. José de Abreu, que será Manoel Candeias na segunda fase da trama, chegou a ficar três meses preso no Carandiru, em São Paulo, depois de ter participado de uma assembléia de estudantes, ao lado de José Dirceu, hoje ministro da Casa Civil.

“Tive que abandonar um espetáculo e largar o curso de Direito. Saí da cadeia dias antes do AI-5 e precisei passar uma temporada em Pelotas, no sul”, lembra o ator.

O AI-5, ato institucional decretado em dezembro de 1968 e mostrado na novela, também marcou para sempre a vida de Marieta Severo. Com as filhas e o então marido, Chico Buarque, a atriz partiu em exílio para a Itália, onde morou durante quase dois anos. Antes disso, militares já haviam invadido sua casa e batido na porta de seu quarto. A prisão do compositor poderia vir a qualquer momento.

“Minha juventude foi privada de liberdade, vivíamos sob uma forte tensão. Tudo o que a gente fazia era censurado”, conta Marieta.

Pedro Paulo Rangel fazia parte do elenco da lendária montagem de Roda Viva, de Chico Buarque, em 1968. O teatro onde a peça fazia temporada em São Paulo foi apedrejado. Durante uma excursão a Porto Alegre, alguns atores foram seqüestrados por paramilitares. O motivo? O texto sobre a ascensão e queda de um ídolo popular foi considerado subversivo.

“Éramos muito jovens e vivíamos num clima de eterna insegurança”, lembra Rangel.

Jonas Bloch, que na novela vive o outro lado da história, na pele de um inspetor da ditadura, guarda lembranças mais recentes desse difícil período. Uma delas aconteceu já em 1980, antes de uma sessão da peça Campeões do Mundo, de Dias Gomes. Um anônimo avisou que uma bomba explodiria no teatro. Cancelamos a sessão e só encontramos um ovo de Páscoa numa cadeira”, diz.

Experiência própriaAguinaldo Silva tem escrito em Senhora do Destino sobre o que também viveu. Em 1969, ele foi preso na Ilha das Flores, assim como a sua Maria do Carmo (Carolina Dieckmann). A razão era ter feito o prefácio de uma das edições do diário de Che Guevara. O problema maior era o título. “A guerrilha não acabou”. “Passei 70 dias incomunicável porque não expliquei satisfatoriamente o que eu queria dizer com isso”, lembra.

Depois veio o tempo da censura nos jornais alternativos em que trabalhava, como o Lampião, e em seus trabalhos na TV. Antes de virar sucesso, a minissérie Bandidos da Falange ficou dois meses proibida. Uma de suas Quartas-Nobres teve todas as cenas que falava de um gato cortadas. “Fomos a Brasília e nem a chefe da censura soube explicar a razão dos cortes. Mas o gato continuou proibido”.

AudiênciaSenhora do Destino estreou na segunda-feira desbancando o capítulo de estréia de Celebridade: a nova novela das oito alcançou 51 pontos de média e 72% de participação de audiência.

A trama de Gilberto Braga havia obtido 49 pontos de média e 71% de participação de audiência na estréia. Foi o melhor ibope de primeiro capítulo das últimas seis novelas do horário.

Chamaram a atenção as belas imagens feitas no Nordeste. Outro ponto que mereceu destaque foi a inserção de personagens reais na trama, como o ex-presidente Arthur da Costa e Silva e o jornalista Paulo Francis. Para o ator Jonas Bloch, as cenas da novela estavam com cara de superprodução.

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    03/07/2004 0h00

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    “Tive que abandonar um espetáculo e largar o curso de Direito. Saí da cadeia dias antes do AI-5 e precisei passar uma temporada em Pelotas, no sul”, lembra o ator.

    O AI-5, ato institucional decretado em dezembro de 1968 e mostrado na novela, também marcou para sempre a vida de Marieta Severo. Com as filhas e o então marido, Chico Buarque, a atriz partiu em exílio para a Itália, onde morou durante quase dois anos. Antes disso, militares já haviam invadido sua casa e batido na porta de seu quarto. A prisão do compositor poderia vir a qualquer momento.

    “Minha juventude foi privada de liberdade, vivíamos sob uma forte tensão. Tudo o que a gente fazia era censurado”, conta Marieta.

    Pedro Paulo Rangel fazia parte do elenco da lendária montagem de Roda Viva, de Chico Buarque, em 1968. O teatro onde a peça fazia temporada em São Paulo foi apedrejado. Durante uma excursão a Porto Alegre, alguns atores foram seqüestrados por paramilitares. O motivo? O texto sobre a ascensão e queda de um ídolo popular foi considerado subversivo.

    “Éramos muito jovens e vivíamos num clima de eterna insegurança”, lembra Rangel.

    Jonas Bloch, que na novela vive o outro lado da história, na pele de um inspetor da ditadura, guarda lembranças mais recentes desse difícil período. Uma delas aconteceu já em 1980, antes de uma sessão da peça Campeões do Mundo, de Dias Gomes. Um anônimo avisou que uma bomba explodiria no teatro. Cancelamos a sessão e só encontramos um ovo de Páscoa numa cadeira”, diz.

    Experiência própriaAguinaldo Silva tem escrito em Senhora do Destino sobre o que também viveu. Em 1969, ele foi preso na Ilha das Flores, assim como a sua Maria do Carmo (Carolina Dieckmann). A razão era ter feito o prefácio de uma das edições do diário de Che Guevara. O problema maior era o título. “A guerrilha não acabou”. “Passei 70 dias incomunicável porque não expliquei satisfatoriamente o que eu queria dizer com isso”, lembra.

    Depois veio o tempo da censura nos jornais alternativos em que trabalhava, como o Lampião, e em seus trabalhos na TV. Antes de virar sucesso, a minissérie Bandidos da Falange ficou dois meses proibida. Uma de suas Quartas-Nobres teve todas as cenas que falava de um gato cortadas. “Fomos a Brasília e nem a chefe da censura soube explicar a razão dos cortes. Mas o gato continuou proibido”.

    AudiênciaSenhora do Destino estreou na segunda-feira desbancando o capítulo de estréia de Celebridade: a nova novela das oito alcançou 51 pontos de média e 72% de participação de audiência.

    A trama de Gilberto Braga havia obtido 49 pontos de média e 71% de participação de audiência na estréia. Foi o melhor ibope de primeiro capítulo das últimas seis novelas do horário.

    Chamaram a atenção as belas imagens feitas no Nordeste. Outro ponto que mereceu destaque foi a inserção de personagens reais na trama, como o ex-presidente Arthur da Costa e Silva e o jornalista Paulo Francis. Para o ator Jonas Bloch, as cenas da novela estavam com cara de superprodução.

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