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Drama real

Arquivo Geral

27/06/2004 0h00

Fome, abandono e dor. Assim como é a vida de muitos brasileiros será a de Maria do Carmo em Senhora do Destino, nova novela das oito, que estréia amanhã. Deixada pelo marido, a pernambucana vem para o Rio em busca de sustento para os cinco filhos.

No caminho, perde o cachorro da família, o endereço do irmão que a esperava e, como se não bastasse, tem uma filha, Lindalva, roubada. A saga da protagonista, vivida na primeira fase por Carolina Dieckmann e na segunda, por Suzana Vieira, é um duro mergulho de Aguinaldo Silva na realidade, depois de sucessos marcados pelo realismo fantástico.

“Toda essa história do roubo da criança tem a ver com o caso do Carlinhos (Carlos Ramires da Costa, seqüestrado em casa, em 1973). Na época, era repórter policial e entrevistei a mãe dele. Tinha essa idéia guardada e sempre quis usá-la”, conta o autor. Na vida real, Maria da Conceição Ramires da Costa, inspiradora da esperança de Suzana Vieira na novela, continua à procura do filho, mas ainda não sabe se vai acompanhar o drama na TV. “Não sei se vou conseguir. Principalmente se tiver coisas que me façam lembrar da época.”

Na trama, a trajetória de Lindalva, que recebe o nome de Isabel (e também será interpretada por Carolina Dieckmann) na nova família, tem mais coincidências com a vida de Pedrinho – apesar de o autor jurar que entregou a sinopse antes da história ter sido revelada, em dezembro.

O menino foi raptado em 1986, numa maternidade de Brasília, por Vilma Martins, a quem aprendeu a chamar de mãe. A falsa enfermeira forjou uma gravidez para convencer o amante a largar a família, o criou como filho e o chamava de Oswaldo.

Na novela, também levada pela suposta enfermeira e prostituta Nazaré (Adriana Esteves na primeira fase, e Renata Sorrah, na segunda), Isabel passa pelo mesmo. Com a diferença de que foi levada durante os protestos da ditadura militar, em 1968.

“A primeira vez em que vi a chamada da história na TV fiquei assustada por ver uma história tão parecida. Mas acho válido. Principalmente se servir de alerta”, desabafa Maria Auxiliadora Tapajós, mãe biológica de Pedrinho, que o reencontrou ano passado. A mãe de criação foi presa e ele hoje mora com os verdadeiros pais. “Não é simples um pessoa deixar uma família na qual viveu 17 anos e ir viver com pessoas que, para ela, são desconhecidos”, explica ela.

E são esses conflitos que Aguinaldo vai pôr na novela. “Quero mostrar como a mãe que perdeu a filha vai conseguir reconquistá-la, a relação entre mães e filhas, e como essas famílias vão ficar depois de tudo. É o que me interessa”, diz. As atrizes já tomaram suas posições.

“Não sei como uma mulher consegue viver sabendo que um filho foi seqüestrado”, dispara Suzana Vieira. Carolina, que vai participar dos dois lados da história, como mãe na primeira fase e filha na segunda, pondera: “Mãe tem que criar, não basta pôr no mundo. Mas não dá para ser a favor do rapto de uma criança. Só que as duas podem ter a mesma importância na vida da filha.”

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    No caminho, perde o cachorro da família, o endereço do irmão que a esperava e, como se não bastasse, tem uma filha, Lindalva, roubada. A saga da protagonista, vivida na primeira fase por Carolina Dieckmann e na segunda, por Suzana Vieira, é um duro mergulho de Aguinaldo Silva na realidade, depois de sucessos marcados pelo realismo fantástico.

    “Toda essa história do roubo da criança tem a ver com o caso do Carlinhos (Carlos Ramires da Costa, seqüestrado em casa, em 1973). Na época, era repórter policial e entrevistei a mãe dele. Tinha essa idéia guardada e sempre quis usá-la”, conta o autor. Na vida real, Maria da Conceição Ramires da Costa, inspiradora da esperança de Suzana Vieira na novela, continua à procura do filho, mas ainda não sabe se vai acompanhar o drama na TV. “Não sei se vou conseguir. Principalmente se tiver coisas que me façam lembrar da época.”

    Na trama, a trajetória de Lindalva, que recebe o nome de Isabel (e também será interpretada por Carolina Dieckmann) na nova família, tem mais coincidências com a vida de Pedrinho – apesar de o autor jurar que entregou a sinopse antes da história ter sido revelada, em dezembro.

    O menino foi raptado em 1986, numa maternidade de Brasília, por Vilma Martins, a quem aprendeu a chamar de mãe. A falsa enfermeira forjou uma gravidez para convencer o amante a largar a família, o criou como filho e o chamava de Oswaldo.

    Na novela, também levada pela suposta enfermeira e prostituta Nazaré (Adriana Esteves na primeira fase, e Renata Sorrah, na segunda), Isabel passa pelo mesmo. Com a diferença de que foi levada durante os protestos da ditadura militar, em 1968.

    “A primeira vez em que vi a chamada da história na TV fiquei assustada por ver uma história tão parecida. Mas acho válido. Principalmente se servir de alerta”, desabafa Maria Auxiliadora Tapajós, mãe biológica de Pedrinho, que o reencontrou ano passado. A mãe de criação foi presa e ele hoje mora com os verdadeiros pais. “Não é simples um pessoa deixar uma família na qual viveu 17 anos e ir viver com pessoas que, para ela, são desconhecidos”, explica ela.

    E são esses conflitos que Aguinaldo vai pôr na novela. “Quero mostrar como a mãe que perdeu a filha vai conseguir reconquistá-la, a relação entre mães e filhas, e como essas famílias vão ficar depois de tudo. É o que me interessa”, diz. As atrizes já tomaram suas posições.

    “Não sei como uma mulher consegue viver sabendo que um filho foi seqüestrado”, dispara Suzana Vieira. Carolina, que vai participar dos dois lados da história, como mãe na primeira fase e filha na segunda, pondera: “Mãe tem que criar, não basta pôr no mundo. Mas não dá para ser a favor do rapto de uma criança. Só que as duas podem ter a mesma importância na vida da filha.”

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