Duas irmãs separadas por 40 anos, mundos distintos e ambições diferentes. Esse é o mote do longa-metragem Filhas do Vento, estréia do documentarista Joel Zito Araújo no cinema de ficção, que entra em circuito nacional hoje. A história não é nova e o final não é diferente do que se espera, mas o diretor soube dar emoção ao drama familiar proposto.
O filme ganhou oito prêmios no Festival de Gramado de 2004 e concentra a história nas mulheres da família. Estrelado por um forte elenco de atores afro-descendentes, Filhas do Vento conta a história de uma família de classe baixa formada por Zé das Bicicletas (Milton Gonçalves) e suas filhas Ju (Thalma de Freitas) e Cida (Taís Araújo), que vivem em uma vila próxima à cidadezinha mineira de Lavras Novas.
Após um mal-entendido, Cida sai de casa e vai atrás do sonho de ser atriz no Rio de Janeiro. Quarenta anos depois, as duas irmãs possuem vidas completamente diferentes: Cida (agora vivida por Ruth de Souza) é uma atriz veterana, que, apesar ter sucesso, só fez papéis secundários em novelas, devido à cor de sua pele. Ju (Léa Garcia) preferiu ficar no interior de Minas Gerais, cuidando do pai, das filhas e netas, acompanhando a carreira da irmã pela televisão. O reencontro só ocorre com a morte do pai.
“O filme explora a dificuldade do perdão e a força do orgulho. E como isso pode influenciar as gerações futuras”, revelou o diretor Joel Zito, em entrevista ao Jornal de Brasília. O roteiro foi de Di Moretti (Cabra Cega) e o elenco traz ainda Maria Ceiça, Rocco Pitanga e Jonas Bloch.
Para Joel Zito, o longa traz um drama familiar muito freqüente no Brasil e que, por isso, o público se identifica muito com a narrativa. “É uma história universal, muito emocionante, que mostra a fraternidade, calor humano e a solidariedade, e como isso tudo pode se perder”, diz o diretor.
Trabalhar com atores afro-descendentes é constante nas obras de Joel Zito, que tem 21 anos de carreira e já fez 26 documentários, entre eles o premiado A Negação do Brasil. “Gosto de tratar essa questão racial, tenho a identidade negra como conceito”, explica.
Atualmente, o diretor trabalha no roteiro de seu próximo filme, uma parceria com o ator norte-americano Danny Glover (Máquina Mortífera) e que terá como pano de fundo o turismo sexual no Brasil. O filme terá oito personagens centrais, com histórias que vão se cruzar. “Estou concluindo o roteiro e as gravações devem começar só no segundo semestre de 2006, por causa da agenda de Glover”, adianta.
A parceria com o ator deu credibilidade para o projeto, que está sendo avaliado por dois produtores italianos. “Eu sempre fico batendo na porta para ter apoios e, por causa do Glover, os produtores é que estão vindo atrás de mim”, pondera. O filme também tem apoio do Ministério do Turismo. “Eles têm dedicado esforços para evitar o turismo sexual. É uma forma de discutir internacionalmente esse problema”, emenda.