A viola caipira foi trilha sonora do 1º Festival de Inverno de Alto Paraíso, que ocorreu na Chapada dos Veadeiros entre os dias 22 e 25 últimos em um palco montado na Praça do Bambu. Cerca de 20 mil pessoas enfrentaram o frio de quase 7ºC e circularam durante os quatro dias de shows para assistir a nomes como Yamandú Costa, Almir Sater, Renato Teixeira e Roberto Côrrea.
Para a violonista, cantora e percussionista Badi Assad, única atração feminina do festival, o evento foi a concretização de um sonho. Ela desejava conhecer o cerrado e uniu o útil ao agradável. Deixou os Estados Unidos e trouxe na mala sons étnicos do mundo inteiro para apresentar na noite de abertura. O ponto alto de sua apresentação foi uma versão para a música Solais, na qual Badi toca sua garganta, face e nariz como se fossem tambores.
O virtuoso violonista Yamandú Costa encantou a platéia com suas caretas e manobras realizadas com as cordas do instrumento. Yamandú, que prometera uma surpresa na sua apresentação, tocou na viola um tema que criou exclusivamente para o festival. O público assistiu maravilhado. O jovem músico de Passo Fundo (RS) ainda dedicou uma valsa à avó, que segundo ele, pede para que ele toque mais devagar. “Estou muito honrado de participar desse evento”, declarou no microfone.
Outro artista que arrancou aplausos calorosos da pláteia foi o violeiro e compositor Renato Teixeira. O autor da música Romaria tocou alguns de seus sucessos com a dupla Pena Branca e Xavantinho e Almir Sater. A pedido do público, Renato tocou Cio da Terra mas alertou: “Eu não sei a letra. Eu toco e vocês cantam. Vamos fazer um karaokê”, brincou o músico.
Na noite de sábado o grande destaque foi o violeiro, compositor e pesquisador Roberto Corrêa. Ele tem diversos discos, um deles em parceria com Renato Andrade – que também participou do evento cantando e contando causos – e livros publicados sobre o tema, como Viola de Cocho e A Arte de Pontear Viola.
O violeiro mato-grossense Almir Sater foi a atração mais aguardada pelo público. Ele ressaltou a importância de reunir tendências musicais diferentes para “levantar a bandeira da viola”. “Ela é tão frágil e vulnerável como o meio ambiente”, acredita Almir.
O evento foi idealizado pela Organização Não-Governamental (ONG) goiana Oca Brasil. “Foi uma espécie de Woodstock da viola”, define Paulo Maluhy, presidente da ONG. A intenção era despertar a consciência sócio-ambiental sobre questões do cerrado brasileiro. “O saldo não poderia ter sido mais positivo. Aglutinamos representantes da comunidade brasileira, como Marcos Terena e o Xavante Domingos Marrolo, além de representantes do poder municipal, estadual, nacional e até mundial, como a Unesco”, avalia Maluhy.