A CPI dos Correios atende por um novo nome: Camilla Amaral. A capa da Playboy deste mês traz a musa em fotos que prometem abalar o Congresso, rodeada de malas cheias de dinheiro e depoimentos de deputados e senadores do tipo: “Ela é linda. Mas estudou com a minha filha e me chama de tio” (senador Heráclito Fortes, PFL-PI); “Ah, não posso falar. Ganho cartão vermelho em casa” (deputado Antônio Carlos Magalhães Neto, PFL-BA).
Camilla Amaral, 25 anos, jornalista, posou em um escritório de advocacia em São Paulo, transformado em gabinete parlamentar, e em frente aos monumentos da capital. Destaca que o intuito não era fazer nenhuma alusão aos escândalos políticos que, a esta altura, já entraram para o folclore de todo o Brasil.
“Esse não era o objetivo”, afirma a musa da CPI dos Correios em entrevista exclusiva ao Jornal de Brasília. “Creio que o cenário foi escolhido em função do glamour que ele proporciona”. A ex-assessora da senadora Ideli Salvatti não nega ter aceito a proposta por causa da boa quantia de dinheiro oferecida. “Qual mulher não se sentiria tentada? Eu nunca pensei em pousar nua, mas acabei aceitando. Não acredito nas artistas que dizem que o valor não influência, ele pesa muito”
Camilla conta que não fez as fotos em busca de fama. “Como toda mulher sou vaidosa. Me senti especial recebendo um convite de uma revista desse nível”. Diz que a decisão foi tomada juntamente com sua família: “Analisamos que seria muito bom para o meu futuro”. Na época, a jornalista estava namorando e recebeu apoio do companheiro. “Hoje não estamos mais juntos, mas não tem nada haver com a revista”, informa. “Um namoro de cinco anos não acaba por isso”.
Sobre a possibilidade de novos trabalhos do gênero, ela é reticente: “Sei que esse trabalho abrirá portas para outros, não sei como vai ser daqui pra frente. Mas sei que vou continuar com a minha profissão”.
fim de cicloAtualmente trabalhando em uma assessoria de imprensa formada por amigos, ela conta que saiu do Senado, depois de cinco anos, porque completou o seu ciclo. “Ninguém me pediu para sair, foi uma decisão minha. Eu sabia que depois da revista não daria para continuar lá”.
A proposta da Playboy, diz, foi uma surpresa. Garante nunca ter esperado por isso. Depois de assinar o contrato, ela conta que o primeiro dia de ensaio foi complicado. “Essa foi a minha primeira experiência fotográfica. Não sou modelo, nem atriz, não é fácil fazer caras e bocas”.
Durante os três dias e meio de trabalho, Camilla conta que não fez nenhuma restrição à produção e que, apesar de não ter escolhido as fotos, participou da seleção. Também escreveu um editorial falando sobre os bastidores da CPI. “Tive a oportunidade de mostrar o meu trabalho como jornalista. Foi muito bom”.
Para manter a forma que, afinal, tem pelo menos um pouco a ver com esse convite para posar, ela malha diariamente e, quando dispõe de mais tempo, faz corridas ao redor do Lago Paranoá. “Estou vivendo uma experiência muito boa”, afirma. Às vezes as pessoas me reconhecem e param para me fazer perguntas. De repórter eu passei a ser entrevistada”.