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Diários de Motocicleta encanta Cannes

Arquivo Geral

20/05/2004 0h00

Walter Salles, diretor do premiado Central do Brasil, que venceu o Urso de Ouro e também um de Prata (para a atriz Fernanda Montenegro) no Festival de Berlim, em 1998, exibiu, na manhã de ontem, seu filme Diários de Motocicleta na 57ª edição do Festival de Cinema de Cannes. O longa, que concorre à Palma de Ouro, foi o mais aplaudido até o momento.

O diretor brasileiro disse que esperava abrir um debate na América Latina com Diários de Motocicleta, que levou cinco anos para ficar pronto. “Nós vivemos o filme coletivamente, não se pode conjugar na primeira pessoa do singular”, ressaltou o cineasta, que deu ao mexicano Gael García Bernal o papel do jovem “Che”.

“Os atores se prepararam muito para mergulhar no mundo daquele estudante de medicina que, em 1952, aos 23 anos, lançou-se a conhecer o mundo em uma moto com um amigo de 29 anos, já bioquímico, Alberto Granado”.

Como Walter Salles, que fez duas vezes a mesma viagem para preparar as gravações, García Bernal disse ter em sua vida um antes e um depois, ao cruzar uma barreira interior com este trabalho, iniciado com medo. “O medo era um termômetro que nos fazia realizar as coisas bem ou, pelo menos, de querer nos aproximar um pouquinho de fazê-las bem”, disse. Depois, “começamos a confiar no que estávamos fazendo ao ponto de nossa experiência começar a ser tão importante como a deles quando fizeram a viagem”.

A preparação foi diversa, com viagens para Cuba e Argentina, muitas leituras e conversas com gente que conheceu Guevara e também Granado, interpretado por Rodrigo de la Serna. “Fizemos seminários de política para entendermos o contexto político e social que a América Latina estava vivendo naquele momento. Andamos de moto três vezes por semana, comemos bem”, acrescentou.

“A verdade é que tínhamos de esperar que algum dia chegaríamos a nos ver repletos de toda essa informação para empreender a viagem e poder atuar conforme as situações que surgissem e conforme os personagens”, disse García Bernal.

“Eu não senti que cheguei preparado para o filme e, quando começou, estava aterrorizado, achando que não estávamos fazendo as coisas bem”. “E me dei conta de que apenas se podia preparar 30%, o resto é a experiência, a vivência. Por isso, decidi compartilhar essa viagem e confiá-la a essa transparência e as coisas começaram a funcionar”.

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    20/05/2004 0h00

    Walter Salles, diretor do premiado Central do Brasil, que venceu o Urso de Ouro e também um de Prata (para a atriz Fernanda Montenegro) no Festival de Berlim, em 1998, exibiu, na manhã de ontem, seu filme Diários de Motocicleta na 57ª edição do Festival de Cinema de Cannes. O longa, que concorre à Palma de Ouro, foi o mais aplaudido até o momento.

    O diretor brasileiro disse que esperava abrir um debate na América Latina com Diários de Motocicleta, que levou cinco anos para ficar pronto. “Nós vivemos o filme coletivamente, não se pode conjugar na primeira pessoa do singular”, ressaltou o cineasta, que deu ao mexicano Gael García Bernal o papel do jovem “Che”.

    “Os atores se prepararam muito para mergulhar no mundo daquele estudante de medicina que, em 1952, aos 23 anos, lançou-se a conhecer o mundo em uma moto com um amigo de 29 anos, já bioquímico, Alberto Granado”.

    Como Walter Salles, que fez duas vezes a mesma viagem para preparar as gravações, García Bernal disse ter em sua vida um antes e um depois, ao cruzar uma barreira interior com este trabalho, iniciado com medo. “O medo era um termômetro que nos fazia realizar as coisas bem ou, pelo menos, de querer nos aproximar um pouquinho de fazê-las bem”, disse. Depois, “começamos a confiar no que estávamos fazendo ao ponto de nossa experiência começar a ser tão importante como a deles quando fizeram a viagem”.

    A preparação foi diversa, com viagens para Cuba e Argentina, muitas leituras e conversas com gente que conheceu Guevara e também Granado, interpretado por Rodrigo de la Serna. “Fizemos seminários de política para entendermos o contexto político e social que a América Latina estava vivendo naquele momento. Andamos de moto três vezes por semana, comemos bem”, acrescentou.

    “A verdade é que tínhamos de esperar que algum dia chegaríamos a nos ver repletos de toda essa informação para empreender a viagem e poder atuar conforme as situações que surgissem e conforme os personagens”, disse García Bernal.

    “Eu não senti que cheguei preparado para o filme e, quando começou, estava aterrorizado, achando que não estávamos fazendo as coisas bem”. “E me dei conta de que apenas se podia preparar 30%, o resto é a experiência, a vivência. Por isso, decidi compartilhar essa viagem e confiá-la a essa transparência e as coisas começaram a funcionar”.

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