Sorrateiro e gradativo, o diabetes é uma doença (ou, como preferem alguns, um distúrbio metabólico) cuja característica marcante são os níveis elevados de glicose no sangue. Um dado preocupante, constatado por duas décadas de pesquisas, realizadas pela Universidade de São Paulon – USP, em Bauru, aparece como alerta: a diabetes tipo 1 está em franca ascenção entre os jovens com menos de 15 anos.
“No Brasil, Bauru serve de parâmetro”, explica o médico endocrinologista Carlos Antonio Negrato. “Isso ocorre porque temos estudado o tema há quase duas décadas e o trabalho resulta em dados que são base para pesquisas nacionais.”
Ex-residente da Faculdade de Medicina da USP, entre 1978 e 1980, quando trabalhou sob supervisão do professor Bernardo Leo Wajchenberg – referência médica em diabetes e obesidade dentro e fora da USP há mais de três décadas –, Negrato informa que os dados que acabam de ser tabulados, referentes a uma pesquisa contínua com grupos de diabéticos entre janeiro de 1987 e dezembro de 2003, apontam para um panorama de alerta.
Atualmente, a incidência (casos novos por ano) da doença em Bauru é de 10,8 crianças e adolescentes com diabetes para cada grupo de 100 mil. Em 1994, há exatos dez anos, era de apenas 5,5.
notificaçõesO estudo é feito por meio de notificações de casos novos de diabetes obtidos em censo realizado anualmente em todas as escolas do município, além de casos registrados pela Associação dos Diabéticos de Bauru. Ou seja: o crescimento da população diabética na cidade nessa faixa etária (132 casos novos no período analisado) é uma realidade a ser combatida e não uma mera distorção das estatísticas.
Do total avaliado, 53% são meninas com idade média de 8,7 anos e 47% são meninos de 9,2 anos em média – o que difere um pouco dos dados encontrados na literatura médica internacional, que, por sua vez, aponta maior incidência entre meninos e numa faixa etária ainda menor.
“A explicação para a linha ascendente da doença, um fenômeno mundial em todos os seus tipos, está certamente ligada a uma alimentação hipercalórica, geralmente de má qualidade, e a hábitos sedentários cada vez mais freqüentes em todas as camadas das populações”, explica o endocrinologista.
fatoresNo diabetes tipo 1, vários fatores também são imputados como causadores ou, ao menos, desencadeantes do início do processo patológico. Exemplos: infecções por determinados vírus, como o da caxumba, introdução precoce do leite de vaca e seus derivados nos primeiros meses de vida, além do componente hereditário, que jamais deve ser desprezado. (Agência USP)