Muitas pessoas levam uma vida normal sem perceber que uma doença se instala silenciosamente em seu organismo. Na maioria das vezes, é o que acontece com os portadores de insuficiência renal crônica (IRC). Isso porque as principais causas para o seu desenvolvimento são a diabetes e a hipertensão, males quase sempre assintomáticos. Diante disso, o combate a essas doenças é uma das prioridades da nova Política Nacional de Atenção aos Pacientes Portadores de Doença Renal.
“A magnitude da diabetes e da hipertensão é tão grande que se torna um problema de saúde pública. Estima-se que, no Brasil, existam 25 milhões de vítimas desses males, 6 milhões com algum grau de lesão renal”, destaca José Luiz Nogueira dos Santos, consultor-técnico para Terapia Renal Substitutiva do Ministério da Saúde.
Essa constatação levou o ministério a propor a reorganização da atenção básica no Sistema Único de Saúde (SUS) para oferecer acompanhamento adequado aos diabéticos e hipertensos. O objetivo é reduzir o grande número de pacientes que chegam à diálise (tratamento que substitui as funções dos rins).
PlanoA Política Nacional de Atenção a Pacientes Portadores de Doença Renal foi definida em portarias publicadas no dia 17 de junho. “O ministério vai criar instrumentos para que os gestores municipais e estaduais formulem um plano de prevenção e tratamento das doenças renais de acordo com sua realidade local. Esse plano será uma condição para estados e municípios terem os serviços de diálise credenciados pelo SUS”, explica José Luiz.
AtençãoO consultor conta que um grupo técnico do Ministério da Saúde já está se reunindo para elaborar e implementar as ações que serão desenvolvidas na atenção básica e na média complexidade. A proposta é oferecer atenção integral aos pacientes com insuficiência renal crônica. “Para garantir isso, todos os níveis de atenção serão reestruturados. Uma das ações previstas é a capacitação das equipes do Programa de Saúde da Família (PSF) para identificar e atender diabéticos, hipertensos e pessoas com problemas renais”, destaca José Luiz.
O técnico explica que se diabéticos e hipertensos não forem devidamente acompanhados, provavelmente terão complicações que exigem procedimentos de alta complexidade, como, por exemplo, tratamento de hemodiálise. Além do comprometimento dos rins, poderão ter problemas cardíacos, amputação de membros inferiores e até cegueira total.
Estudo realizado em maio deste ano pela equipe técnica do ministério identificou como está a situação do atendimento aos pacientes renais antes de eles chegarem ao estágio mais severo da doença. “Nesse diagnóstico, observou-se que a atenção antes da diálise, principalmente com os pacientes hipertensos e diabéticos, não é satisfatória”, ressalta o técnico.
Foi constatado ainda que grande parte desses pacientes é encaminhada para a diálise sem uma atenção anterior. Eles chegam com aproximadamente 47 anos, idade considerada precoce. Oitenta por cento entram pela urgência e não estão preparados para o tratamento. Ou seja, não vêm tomando os medicamentos especiais adequadamente.
Prevenção”O Ministério da Saúde pretende mudar esse quadro e acredita na prevenção como a melhor forma de diminuir o número de pacientes necessitando de diálise. Por isso, tem como uma das prioridades estruturar a atenção básica”, reforça José Luiz.
Quanto aos serviços de diálise, a nova política prevê um plano de regulação e avaliação. A idéia é realizar um trabalho de controle desses serviços para saber como estão funcionando.