Os especialistas em Alzheimer constataram que o mal ocorre antes e mais forte em comunidades nas quais há maior incidência de diabetes, má alimentação, falta de exercício e desconhecimento da gravidade da doença. Por isso, segundo uma série de estudos apresentados na Conferência Internacional sobre o Alzheimer realizada na Filadélfia (Estados Unidos), esta doença é um flagelo principalmente para as comunidades hispânica e negra dos EUA.
Um destes estudos indicou que o mal de Alzheimer, doença cerebral progressiva e incurável, apresenta-se entre os hispânicos quase sete anos antes que em outras comunidades deste país. Outro relatório destacou que entre a comunidade negra, o número de pacientes é desproporcionalmente maior que entre outros grupos étnicos.
Segundo Roberto Velásquez, diretor de Serviços para Famílias da Associação do Alzheimer, a doença atinge mais duramente negros e hispânicos porque em ambos os setores apresenta-se uma maior incidência de doenças vasculares, além do diabetes.
Segundo os estudos, há uma estreita relação entre a obesidade, a falta de exercícios físicos e mentais e a dieta com a aparição dos primeiros sintomas de problemas vasculares e do mal de Alzheimer. “Os latinos deveriam saber que com o avanço da idade, o risco de desenvolver diabetes é maior. E portanto igualmente as doenças cardiovasculares e o mal de Alzheimer”, disse em uma entrevista por telefone. “As pessoas devem cuidar do que comem. Ter uma boa dieta, fazer exercício e evitar a pressão alta”, acrescentou.
Mas, segundo Velásquez, isso não ocorre na comunidade hispana, cujos membros, além disso, não são capazes de reconhecer os primeiros sintomas. “Muitos latinos não sabem quando aparecem os sinais dessas doenças e menos ainda as do Alzheimer. Esperam anos para procurar o médico”, afirmou.
“O que é pior é que quando buscam remédios ou tratamentos, estes não lhes servem por causa do caráter avançado do problema, que já não tem solução nem alívio”, disse. Velásquez insistiu que a situação do Alzheimer entre os latinos é grave e poderá piorar nos próximos anos.
Para o médico James Jackson, membro da Associação Médica para o Alzheimer, “os estudos como este são um alerta para o Congresso e o país”. Calcula-se que, sem distinções étnicas, nestes momentos há 4,5 milhões de americanos que sofrem da doença, cujo principal sintoma é uma demência progressiva que corrói os mecanismos do pensamento, a memória e a linguagem.
O número de vítimas hispânicas é de apenas 200 mil. Mas, segundo um estudo da Associação do Alzheimer, se essa tendência for mantida, este número chegará a mais de 1,3 milhão em 2050. Por outro lado, na população negra de entre 55 e 64 anos o risco do Alzheimer triplica em comparação com os grupos de origem européia, destacou um dos estudos.