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Devagarinho e vermelhinho

Arquivo Geral

13/10/2005 0h00

Martinho da Vila mora num oásis de sossego dentro da conturbada Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Mais pela tranqüilidade que ele tanto preza do que por vontade de se isolar. Aliás, de isolamento ele quer distância. Sua casa é o Rio de Janeiro e ele reforça essa idéia no CD e DVD ao vivo do disco Brasilatinidade (MZA/EMI), que acaba de lançar.

Quando Essa Onda Passar e Quem Tá Com Deus Não Tem Medo, do novo CD, tratam da sensação de medo que, em maior e menor grau, atinge a todos os moradores do Rio. Com as músicas, Martinho quer espantar esse medo. “As pessoas muito medrosas se esquecem das praias cheias, das quadras das escolas lotadas, das noites da Lapa, da Lagoa”, alerta. “Como o noticiário é intenso, a gente vê um momento de violência e pensa que aquilo ocorre o tempo todo. O medo é uma doença progressiva e eu digo isso em Quem Tá Com Deus”.

Em Quando Essa Onda Passar, Martinho convida para um passeio pelos morros cariocas. Para o sambista, existem dois Rios: o da favela e o do asfalto. Ele rejeita, porém, teses apocalípticas, como a da Cidade Partida. E aposta na integração como contraponto à idéia de remoção de favelas que toma corpo atualmente.

“A cidade de cima e a de baixo não são isoladas”, defende. “A escola de samba, por exemplo, mistura todo mundo. E num futuro não muito longe, as favelas vão ser um atrativo turístico do Rio. Então não tem que acabar com esse atrativo, mas tentar resolver os problemas.

Martinho fala desses temas espinhosos com a tranqüilidade de sempre. Aos 67 anos, só mesmo sua escola do coração é capaz de tirá-lo do sério. “Estou disputando o Grammy Latino e o samba-enredo da Vila Isabel. Nem penso no Grammy. Se ganhar, ganhei, mas não estou nem aí. Mas estou ansioso com a escolha do samba. É a minha escola!”

engajamentoO enredo, para seguir na linha de integração de Brasilatinidade, é sobre o sonho de Simon Bolívar de tornar a América Latina unida e forte. “A final vai ser dia 21, quando estarei em Cuiabá. Por conta disso, já estou num nervoso danado!”

Martinho da Vila sempre foi engajado: pela voz do morro, pela memória cultural brasileira, pela integração social… E agora também pelo PCdoB. Até então avesso a filiações partidárias, o sambista resolveu dar esse passo para ver se confere um pouco de credibilidade à política.

“Não foi uma filiação ideológica, nem pretendo concorrer a cargos públicos, mas o Brasil precisa ser politizado e isso só vai acontecer se soubermos como funcionam os poderes”, diz. “Espero que minha filiação incentive outras pessoas a se politizarem”.

A política, em si, sempre esteve em seu trabalho – embora nunca de maneira panfletária. “O samba sempre foi engajado, mas sem chavão. Nas músicas antigas, o sambista que falava de amor dava um jeito de falar também das dificuldades da vida”, lembra.

E Martinho segue dando seus recados, devagar como seu ritmo biológico pede: “Tem gente que me vê no palco e pensa que faço tudo no improviso. Sou devagar mesmo, não corro muito com nada, mas meu show é todo pensado. É daí que vem minha calma”. Boa receita.

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    13/10/2005 0h00

    Martinho da Vila mora num oásis de sossego dentro da conturbada Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Mais pela tranqüilidade que ele tanto preza do que por vontade de se isolar. Aliás, de isolamento ele quer distância. Sua casa é o Rio de Janeiro e ele reforça essa idéia no CD e DVD ao vivo do disco Brasilatinidade (MZA/EMI), que acaba de lançar.

    Quando Essa Onda Passar e Quem Tá Com Deus Não Tem Medo, do novo CD, tratam da sensação de medo que, em maior e menor grau, atinge a todos os moradores do Rio. Com as músicas, Martinho quer espantar esse medo. “As pessoas muito medrosas se esquecem das praias cheias, das quadras das escolas lotadas, das noites da Lapa, da Lagoa”, alerta. “Como o noticiário é intenso, a gente vê um momento de violência e pensa que aquilo ocorre o tempo todo. O medo é uma doença progressiva e eu digo isso em Quem Tá Com Deus”.

    Em Quando Essa Onda Passar, Martinho convida para um passeio pelos morros cariocas. Para o sambista, existem dois Rios: o da favela e o do asfalto. Ele rejeita, porém, teses apocalípticas, como a da Cidade Partida. E aposta na integração como contraponto à idéia de remoção de favelas que toma corpo atualmente.

    “A cidade de cima e a de baixo não são isoladas”, defende. “A escola de samba, por exemplo, mistura todo mundo. E num futuro não muito longe, as favelas vão ser um atrativo turístico do Rio. Então não tem que acabar com esse atrativo, mas tentar resolver os problemas.

    Martinho fala desses temas espinhosos com a tranqüilidade de sempre. Aos 67 anos, só mesmo sua escola do coração é capaz de tirá-lo do sério. “Estou disputando o Grammy Latino e o samba-enredo da Vila Isabel. Nem penso no Grammy. Se ganhar, ganhei, mas não estou nem aí. Mas estou ansioso com a escolha do samba. É a minha escola!”

    engajamentoO enredo, para seguir na linha de integração de Brasilatinidade, é sobre o sonho de Simon Bolívar de tornar a América Latina unida e forte. “A final vai ser dia 21, quando estarei em Cuiabá. Por conta disso, já estou num nervoso danado!”

    Martinho da Vila sempre foi engajado: pela voz do morro, pela memória cultural brasileira, pela integração social… E agora também pelo PCdoB. Até então avesso a filiações partidárias, o sambista resolveu dar esse passo para ver se confere um pouco de credibilidade à política.

    “Não foi uma filiação ideológica, nem pretendo concorrer a cargos públicos, mas o Brasil precisa ser politizado e isso só vai acontecer se soubermos como funcionam os poderes”, diz. “Espero que minha filiação incentive outras pessoas a se politizarem”.

    A política, em si, sempre esteve em seu trabalho – embora nunca de maneira panfletária. “O samba sempre foi engajado, mas sem chavão. Nas músicas antigas, o sambista que falava de amor dava um jeito de falar também das dificuldades da vida”, lembra.

    E Martinho segue dando seus recados, devagar como seu ritmo biológico pede: “Tem gente que me vê no palco e pensa que faço tudo no improviso. Sou devagar mesmo, não corro muito com nada, mas meu show é todo pensado. É daí que vem minha calma”. Boa receita.

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