A televisão do nosso Brasil pode ser acusada de tudo, mas ninguém tem o direito de falar em falta de criatividade. Aqui, com todo respeito a CBS, RAI, Televisa e outras desse mundo afora, o pessoal inventa cada uma que até o Criador lá de cima, no alto da sua sabedoria e de seus poderes, exclama com os anjos e santos mais próximos: “Não é possível!”. A nossa tevê, usando a fundo a imaginação de algumas das suas brilhantes cabeças, criou agora a “estátua eletrônica”. Falando assim, os mais desavisados poderiam até provocar movimentos mais bruscos em suas cadeiras, e se perguntarem: “Mas o que isso significa?”. Por favor, é importante manter a calma neste momento. A “estátua eletrônica” nada mais é que o jeitinho brasileiro encontrado para os nossos apresentadores faturarem seus cachês em merchandisings, simplesmente sem abrirem a boca. Eles se colocam ao lado do garoto ou garota-propaganda e, com leves movimentos positivos de cabeça, apenas concordam com tudo que ali está sendo falado sobre marcas de alimento, milagrosos produtos de emagrecimento, remédios que atacam a caspa sem derrubar cabelos, etc. Com todo respeito, nisso o Clodovil é campeão. Ele está imbatível como “estátua”. Pode ser considerado o nosso número um, mas também é uma graça assistir a Astrid Fontenelle, Nelson Rubens, Claudete Troiano, Olga Bongiovanni, João Kleber e tantos outros se prestando a isso. E tenho certeza, não vai demorar muito tempo, espiões de outros países estarão por aqui copiando mais esse nosso invento.