Dados do IBGE e do Ipea, de 2001, mostraram que mais de 32 milhões de negros com renda de até meio salário mínimo precisavam de serviços de assistência social e viviam, em sua maioria, em lugares inadequados para habitação.
A baixa escolaridade e a falta de informação também contribuem para aumentar os riscos à saúde dos negros. “Sem informação, a pessoa procura menos os serviços de saúde. Não sabe o que é um acompanhamento pré-natal”, exemplifica Déo Costa Ramos.
Constatações do documento demonstram a necessidade de atenção diferenciada à saúde da população negra, um contingente que, somando negros e pardos, compõe cerca de 45% do povo brasileiro. Uma dessas constatações é da socióloga, mestre e doutora em Saúde, Estela Cunha. Ela denuncia que, entre 1980 e 2000, a diferença dos níveis de mortalidade infantil entre os negros e os brancos passou de 21% para 40%.
Outra disparidade apontada no livro é em relação à mortalidade masculina. Estudo da pesquisadora Maria Inês Barbosa, de 1998, revelou que 69,5% das mortes dos homens negros acontecem antes dos 54 anos de idade. Nos brancos, essa taxa cai para 45,1%.
anemiaAlém do destaque dado à condição social, a pesquisa levantou informações sobre as doenças que mais atacam a população negra e confirma a anemia falciforme na primeira posição.
A anemia falciforme é uma doença crônica e degenerativa incurável. Pode ser controlada por meio de alguns cuidados básicos. Geralmente atinge com mais intensidade pessoas com baixa qualidade de vida e condições sócioeconômicas ruins. A anemia falciforme tem como alguns dos sintomas dor nos ossos, músculos e juntas, palidez, cansaço fácil, icterícia (cor amarelada), feridas nas pernas, taquicardia, desidratação e tendência a infecções.