Existem dois procedimentos para tentar fazer o coração funcionar novamente, depois de uma parada cardíaca. O primeiro é a massagem cardíaca feita com as mãos sobre o peito e a respiração boca-a-boca. Se não der resultado, a saída para reverter a situação é o uso do choque elétrico. Para isso, são usadas máquinas chamadas desfibriladores, mais popularmente conhecidas como ressuscitadores.
“O desfibrilador é fundamental. Sem ele não se consegue reverter o ritmo do coração”, diz a cardiologista Eney Fernandes. Estas máquinas provocam um choque elétrico no peito, por meio de duas pás, na região central, no externo, e um pouco mais à esquerda do tórax.
Segundo a médica, as pessoas precisam saber que estas máquinas não são grandes, nem complexas de serem usadas. “Contudo, elas não podem ser usadas por qualquer um. É necessário um treinamento para poder utilizá-las. E o que é melhor, elas mesmo fazem a leitura do batimento cardíaco, para que o choque possa ser dado na medida certa”.
De acordo com as estatísticas, lugares onde o acesso aos desfibriladores é mais fácil, a sobrevida após uma parada cardíaca é superior a 49%. Se a população estiver orientada a chamar o socorro médico e treinada para oferecer o suporte básico de vida até a chegada do desfibrilador mais próximo, muitas vidas podem ser salvas.
Por tudo isso é que, argumenta a cardiologista Eney Fernandes, a Sociedade Brasileira de Cardiologia batalhou para que a Câmera dos Deputados propusesse uma lei para tornar obrigatório, assim como acontece com os extintores de incêndio, o uso de desfibriladores em locais com grande movimento de pessoas, como escolas, universidades e shoppings centers.