Mais uma chave da memória foi achada. Cientistas israelenses e americanos descobriram a ligação entre uma enzima, antes conhecida simplesmente como uma reparadora de DNA, e a formação da chamada memória de longa duração – necessária para o aprendizado permanente. No futuro, prevêem os cientistas, o achado pode levar a drogas que aprimorem a memória.
Utilizando um molusco marinho do gênero Aplysia, os pesquisadores descobriram que a enzima conhecida como poli-ADP-ribose polimerase 1 (Parp1, presente nos núcleos de todas as células animais) era ativada toda vez que os bichos desenvolviam memórias de longo prazo. Quando bloqueada, a ação da molécula cessava a capacidade dessas lesmas marinhas de fixar memórias.
Os moluscos, freqüentemente usados em pesquisas envolvendo memória por causa de seus neurônios avantajados, foram submetidos a um treinamento no qual eram ensinados a selecionar comida fácil de engolir. Sempre que aprendiam algo, a ativação da Parp1 era detectada em seus neurônios.
No entanto, bichos aos quais uma substância inibidora da enzima era ministrada antes do treinamento não desenvolviam a capacidade de selecionar comida.
Já se sabia que os cromossomos, embora sejam armazenados enrolados no núcleo da célula, têm de se desenrolar toda vez que uma memória é construída. Isso ocorre para que o DNA lá contido possa ser transcrito, de modo que possam ser sintetizadas proteínas que construam novas redes neurais, a base da memória. O que a enzima faz é impedir danos no DNA quando ele é desenrolado e garantir o sucesso do processo.
“É até filosófico ver que abrir o cromossomo possibilita guardar informação”, diz James Schwartz, da Universidade Columbia, nos EUA. Ele é um dos autores do estudo publicado ontem na revista Science (www.sciencemag.org), que envolveu também o Instituto de Pesquisa Cardíaca Neufeld e a Faculdade de Ciências da Vida, ambos de Israel. “Agora, entendemos melhor o processo. É possível que um remédio saia em breve dessas descobertas”.