Quem imaginaria o cobre como um material mais frágil que o papel? Na fértil criatividade do artista plástico capixaba Hilal Sami Hilal, tudo é possível. O resultado pode ser apreciado nas oito peças formadoras da exposição que leva o nome do artista, de hoje ao dia 30, na Galeria de Arte Referência.
Há obras bi e tridimencionais de médio e grande portes – como uma peça de cinco metros de altura feita de papel. Hilal conta que a essência de seu trabalho é sempre a mesma; o que muda são os materiais – com os quais procura desafiar a resistência. “Eu me relaciono com o inconsciente. Quando começo uma obra, nunca sei o que pode sair dali. Tento preencher um vazio e espero por uma revelação”, resume.
Na mostra que está em Brasília, Hilal Sami Hila, capixaba de ascendência sírio-libanesa, conta ter trabalhado com extremos. Há cerca de seis anos o artista cria com traçados caligráficos e com o papel – material que ele próprio constrói. Desde 2002, Hilal acrescenta o cobre ao trabalho, o que acredita ser a ponta do outro extremo, já que ele desconstrói o metal. No resultado final, ambos se parecem e se confundem. “O que fica é a questão da fragilidade”, acredita.
Sobre a ausência de um nome para a exposição, o artista justifica que está numa fase de questionamento. “Quero me isentar de definir meu trabalho”, diz. Ele revela que uma tese de mestrado o ajudou a pensar ainda mais sobre sua obra.
Ano passado, Neusa Maria Mendes, secretária de Cultura do Espírito Santo, publicou Tradição e Modernidade: Comunicação e Cultura na Obra de Hilal Sami Hilal. “Ela comparou minha idéia com o papel à pele, e associou meu trabalho ao corpo”, conta.
O interesse de Hilal pela arte surgiu no próprio ambiente familiar. Desde os quatro anos ele é envolvido com a música. Mas foi a mãe, dona Adélia, uma pintora que gostava de retratar flores, que o ajudou a definir seu futuro profissional. “Nos meus trabalhos com papel eu me reencontro com ela. O resultado lembra rosas”, destaca. A música também é um fator que continua presente. Algumas de suas obras remetem a partituras.
São mais de 30 anos dedicados às artes plásticas. Na década de 70, Hilal Sami Hilal cursou Artes Plásticas na Universidade Federal do Espírito Santo. Interessado em desenho e em aquarela, apaixonou-se pelas técnicas japonesas de confecção do papel e, por meio de duas viagens ao Japão, intensificou sua pesquisa. Fez estágio em oficinas de fabricação artesanal de papel na terra do sol nascente em 1981 e 1988. Seu trabalho já foi exposto em Buenos Aires, Madri, Paris, Nova York e em cidades do Líbano, Índia e Alemanha. Em Brasília, esteve pela última vez em 2001.