Festas de final de ano, shows pirotécnicos e fogos de artifício são quase que sinônimos. Combinação agradável e bela para alguns, perigosa e irresponsável para outros. Ao mesmo tempo que animam as comemorações, os fogos de artifício representam um perigo se não usados com cuidado e atenção. Queimaduras e mutilações são ocorrências comuns nesta época do ano nos diversos hospitais do Distrito Federal.
No Hospital Regional da Asa Norte (Hran), os casos de acidentes causados pelo uso indevido de fogos de artifício chegam a triplicar em dezembro. O número comum de dois a quatro ocorrências por mês ao longo do ano salta para até 12 em um único dia, principalmente no Ano Novo. Nas eleições, o hospital, especializado em atendimento a queimados, registrou cerca de um caso de traumas graves por dia.
O médico residente da cirurgia plástica do Hran, Fernando Pontes, explica que o mais comum – e mais grave – são as lesões nas mãos de quem solta os fogos. Há casos em que o foguete explode na mão das pessoas fraturando tendões, ossos e músculos. Quando vasos e nervos são destruídos, é preciso, inclusive, amputar dedos. Por isso, a recomendação é para que a pessoa se mantenha distante do cartucho no momento da explosão. “Melhor é não segurar diretamente na mão. Use suportes, como cabos de vassoura, pedaços de ferro e madeira”, sugere o médico.
autorizaçãoOutra recomendação da Defesa Civil é para que, antes de comprar os fogos, as pessoas verifiquem se o estabelecimento é autorizado pela Polícia Civil. E atenção: apenas 14 comércios possuem licença no DF. Em 2003, por exemplo, foram notificadas 240 lojas clandestinas. “Pedimos para que as pessoas não comprem produtos caseiros ou vendidos em feiras. Os fogos são produtos perigosos e devem ser usados com segurança”, alerta o subsecretário da Defesa Civil do DF, João Nilo de Abreu.
Sucesso absoluto em Natal, Réveillon, Festas Juninas, finais de Copa do Mundo e eleições, a venda de fogos de artifício aquece o comércio nessas épocas. De acordo com Sidney Batista, sócio da Cienfuegos – loja especializada que vende os produtos para a queima de fogos da Esplanada dos Ministérios – as vendas no Ano Novo aumentam 70% em relação ao resto do ano.
Animados com o negócio, mas preocupados com os acidentes, os vendedores têm cuidados especiais com a comercialização dos produtos. Crianças só podem comprar estalinhos e traques (fogos do tipo A com até 0,25 gramas de pólvora). Os do tipo C e D, com quantidade acima de 2,5 gramas de pólvora, só podem ser usados por profissionais.
Cuidados com o local escolhido para a queima de fogos, bebidas alcoólicas e o conhecimento das instruções para o uso dos produtos também são recomendados.