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De volta à telona

Arquivo Geral

26/05/2004 0h00

Fernanda Montenegro está de volta ao cinema como protagonista, depois de Central do Brasil, filme que lhe rendeu fama mundial e uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz, em 1999. O longa da vez é O Outro Lado da Rua, em que a grande dama do teatro brasileiro contracena com Raul Cortez. Foi a estréia da dupla na telona.

E que estréia. Pode-se dizer que o filme marca o nascimento de um novo “estilo” de cinema brasileiro, que foge das comédias como Os Normais, Sexo, Amor e Traição e Viva Voz (esses dois últimos em cartaz nos cinemas), das produções históricas (O Quatrilho, Carlota Joaquina, entre outros ) e dos filmes “regionalistas” como Abril Despedaçado, Central do Brasile Caminho das Nuvens. Dirigido por Marcos Bernstein, co-roteirista de Central do Brasil, O Outro Lado da Rua é um drama urbano, denso, que gira em torno de dois personagens que poderiam ser de qualquer nacionalidade.

“O filme pode ter como cenário qualquer cidade do mundo. É legal perceber que os cineastas brasileiros estão ampliando a variedade de temas”, afirma o diretor. “Não estou dizendo que a miséria e a violência não tenham sido temas de bons filmes, pelo contrário. Temos Cidade de Deus e Central do Brasil para provar. Mas acho importante começarmos a exportar outras idéias de Brasil, mostrar para o mundo que aqui se passam outras realidades, não tão gritantes como a do Nordeste ou a das favelas”.

Não é à toa que o cenário do filme é uma Copacabana muito diferente daquela mostrada, por exemplo, em Bossa Nova. Bernstein “destropicaliza” o bairro. Torna-o frio, às vezes soturno. É onde se passa a história de Regina, uma senhora aposentada que tem um “quê” de justiceira. Com sua inseparável cadela Betina, ela vive ligada no que se passa ao redor, às vezes munida de um potente binóculo.

A vida da aposentada até que tem uma certa emoção. O que Regina não esperava era viver uma intensa relação com um suposto assassino, interpretado por Raul Cortez. Camargo é um juiz aposentado. Regina jura que ele também é um assassino e, para provar isso ao delegado, não mede esforços. “É impressionante a capacidade que ela tem de mentir. O perigo da vida não a assusta e isso a torna ainda mais audaciosa”, analisa Fernanda Montenegro.

Por conta da faixa etária dos personagens, O Outro Lado da Rua acaba sendo um filme que aborda o universo da terceira idade. “O argumento não foi focado nesse tema, mas não há como negar que falamos disso”, conta Bernstein. A solidão, o companheirismo e a distância da família são alguns pontos abordados. Além, é claro, do sexo. “Ué, eu não entendo esse povo que pensa que a mãe e o pai não transam”, questiona Fernanda.

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    Arquivo Geral

    26/05/2004 0h00

    Fernanda Montenegro está de volta ao cinema como protagonista, depois de Central do Brasil, filme que lhe rendeu fama mundial e uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz, em 1999. O longa da vez é O Outro Lado da Rua, em que a grande dama do teatro brasileiro contracena com Raul Cortez. Foi a estréia da dupla na telona.

    E que estréia. Pode-se dizer que o filme marca o nascimento de um novo “estilo” de cinema brasileiro, que foge das comédias como Os Normais, Sexo, Amor e Traição e Viva Voz (esses dois últimos em cartaz nos cinemas), das produções históricas (O Quatrilho, Carlota Joaquina, entre outros ) e dos filmes “regionalistas” como Abril Despedaçado, Central do Brasile Caminho das Nuvens. Dirigido por Marcos Bernstein, co-roteirista de Central do Brasil, O Outro Lado da Rua é um drama urbano, denso, que gira em torno de dois personagens que poderiam ser de qualquer nacionalidade.

    “O filme pode ter como cenário qualquer cidade do mundo. É legal perceber que os cineastas brasileiros estão ampliando a variedade de temas”, afirma o diretor. “Não estou dizendo que a miséria e a violência não tenham sido temas de bons filmes, pelo contrário. Temos Cidade de Deus e Central do Brasil para provar. Mas acho importante começarmos a exportar outras idéias de Brasil, mostrar para o mundo que aqui se passam outras realidades, não tão gritantes como a do Nordeste ou a das favelas”.

    Não é à toa que o cenário do filme é uma Copacabana muito diferente daquela mostrada, por exemplo, em Bossa Nova. Bernstein “destropicaliza” o bairro. Torna-o frio, às vezes soturno. É onde se passa a história de Regina, uma senhora aposentada que tem um “quê” de justiceira. Com sua inseparável cadela Betina, ela vive ligada no que se passa ao redor, às vezes munida de um potente binóculo.

    A vida da aposentada até que tem uma certa emoção. O que Regina não esperava era viver uma intensa relação com um suposto assassino, interpretado por Raul Cortez. Camargo é um juiz aposentado. Regina jura que ele também é um assassino e, para provar isso ao delegado, não mede esforços. “É impressionante a capacidade que ela tem de mentir. O perigo da vida não a assusta e isso a torna ainda mais audaciosa”, analisa Fernanda Montenegro.

    Por conta da faixa etária dos personagens, O Outro Lado da Rua acaba sendo um filme que aborda o universo da terceira idade. “O argumento não foi focado nesse tema, mas não há como negar que falamos disso”, conta Bernstein. A solidão, o companheirismo e a distância da família são alguns pontos abordados. Além, é claro, do sexo. “Ué, eu não entendo esse povo que pensa que a mãe e o pai não transam”, questiona Fernanda.

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