Quem viu o abrutalhado Valdeck de As Filhas da Mãe, novela que a Globo levou ao ar em 2002, não deve ter percebido muita diferença entre o personagem e seu intérprete – pelo menos foi o que ele, o ator e cantor Lulo, mostrou quando participou da Casa dos Artistas , no SBT. No entanto, esse perfil parece ter mudado.
Desde que passou a freqüentar a Igreja Evangélica Cristã do Morumbi, em São Paulo, Lulo se sente outro. “Estou convertido”, diz, orgulhoso, o ex-roqueiro. “Perdi a vontade de fazer televisão e de lançar disco. Vivo agora para a obra de Deus”.
Lulo quer fugir da imagem de artista frustrado que recorreu à religião. Mas confessa que foi a desilusão com seu show Modernidade, no qual investiu muito dinheiro – perto de R$ 400 mil – que o fez procurar uma alternativa, em setembro de 2002. Foi levado para a igreja por uma ex-noiva e nunca mais saiu de lá.
“Eu era uma pessoa fácil para o mundo”, conta o artista, que, ao entrar para a igreja, eliminou os piercings , mas acrescentou à sua coleção de tatuagens uma do rosto de Jesus Cristo. “Bebia, fumava e usava drogas. Hoje, não saio mais à noite”.
A rotina de Lulo, de 33 anos, agora, é cuidar dos negócios da família — ele é herdeiro de uma famosa fábrica de esmaltes — e dar aulas de música para jovens em seu Ministério de Louvor, nos fins de tarde. A família, aliás, no início não viu com bons olhos essa conversão – mas hoje alguns membros já freqüentam os cultos. “Isso é obra de Deus”, afirma.
Assíduo, ele não esconde a vontade de se tornar pastor. E coloca seu lado musical a serviço da causa evangélica ao anunciar que já tem quase pronto um disco só com composições evangélicas.