Os 28 anos que separam as duas versões de Escrava Isaura abrandaram o coração de Rubens de Falco. Ou pelo menos de seus personagens. Em 1976, ele provocou raiva no público como o vilão Leôncio, que perseguia a pobre Isaura — na época vivida por Lucélia Santos. No remake que estréia amanhã, às 18h45, na Record, o ator aparece na pele do comendador Almeida (pai de Leôncio, que antes foi feito por Gilberto Martinho). E os papéis se invertem: ele passa a proteger a escrava – agora vivida por Bianca Rinaldi.
“O comendador não chega a ser um vilão. É autoritário, mas vai se humanizando com o passar do tempo. Só que Leôncio aprendeu a ser mau com o pai”, diz Rubens, que faz 73 anos na terça-feira.
O ator sabe que seu Leôncio ficou no imaginário das pessoas, e não se incomoda de falar sobre ele até hoje. Por causa do sucesso da trama, viajou o mundo inteiro (só a Cuba foi uma dúzia de vezes). A expectativa para a estréia é grande, mas ele prefere não fazer comparações entre as produções: “Hoje é gravação digital. Maquiagem, figurino, tudo precisa ser mais elaborado. Até a forma de representar é outra, mais natural”.
O ator recebeu a notícia de que faria o remake pelos jornais. O diretor Herval Rossano, responsável pelas duas versões, anunciou a participação de Rubens antes mesmo de falar com ele. Isso porque sabia que não receberia uma recusa. Principalmente porque a nova versão será mais fiel ao livro de Bernardo Guimarães do que a edição original da Globo.