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Da idade da MÚSICA

Arquivo Geral

23/03/2004 0h00

No último show da série musical Da Idade do Mundo, o palco do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) reúne não apenas duas gerações da música brasileira, como também diferentes linguagens do chorinho. Protagonizam o concerto de encerramento hoje, em duas sessões (13h e 21h), o multiinstrumentista carioca Carlos Malta e a Rainha do Pife, a trabalhadora rural pernambucana Zabé da Loca, que teve seu talento descoberto no ano passado, quando lançou seu primeiro disco de carreira, aos 80 anos de idade.

Autodidata, Zabé, ainda aos sete anos, tirava as primeiras notas no pífano nordestino – pequena flauta de som agudo fabricada com galhos de bambu, conhecida como o instrumento de sopro mais brasileiro. Mulher simples do agreste pernambucano, Zabé se aprofundou no estudo do instrumento quando sua casa ruiu na década de 50. Viúva e com três filhos, foi morar na Paraíba dentro de uma loca (pequena gruta próximo a riachos) – daí o apelido.

A instrumentista viveu durante 25 anos dentro da loca, onde ensinou os filhos a tocar o pífano e improvisar instrumentos em PVC. Zabé ficou conhecida no interior nordestino como a Rainha do Pife e “escondeu” seu talento até o ano passado ao lançar seu primeiro disco, Zabé da Loca, pela série Cantos do Semi-Árido, projeto do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

No CD, o samba-pife de Zabé ganha assessoramento do conjunto Quinteto Violado, grupo instrumental especialista em ritmos nordestinos e chorinho. No palco, o estilo regionalíssimo de Zabé contracena com a experiência internacional do maestro Carlos Malta, que rendeu ao músico indicação ao Grammy de 2000, pelo álbum Carlos Malta e Pife Muderno.

Estudioso de instrumentos de sopro, entre eles o pífano, Malta é um dos músicos brasileiros de grande prestígio no exterior – tocou com o mestre do jazz Pat Metheny e virtuoses como Ernie Watts e Gil Evans. No Brasil, foi parceiro de Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti. Hoje, Malta lidera os conjuntos de chorinho, pife e jazz Coreto Urbano e Pife Muderno.

Apesar das qualidades artísticas de Malta, a estrela do dia é a senhora Rainha do Pife. Acompanhada pelo saxofonista e clarinetista carioca, ela interpreta cantigas tradicionais do sertão nordestino, temas do cancioneiro folclórico brasileiro e composições que desenvolvera durante mais de 60 anos de música.

Na apresentação pelo projeto Da Idade do Mundo, os músicos serão acompanhados pela também talentosa prole de Zabé da Loca, formada por seus filhos e netos: Setenta e Mané Beiçola (pífanos), Pinto (zabumba), Vino e Fabiana Fernandes (pratos) e Oscar Bolão (caixa, pandeiro e triângulo). Após deixar Brasília, Zabé e sua família partem para uma pequena turnê brasileira pelas capitais.

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    Autodidata, Zabé, ainda aos sete anos, tirava as primeiras notas no pífano nordestino – pequena flauta de som agudo fabricada com galhos de bambu, conhecida como o instrumento de sopro mais brasileiro. Mulher simples do agreste pernambucano, Zabé se aprofundou no estudo do instrumento quando sua casa ruiu na década de 50. Viúva e com três filhos, foi morar na Paraíba dentro de uma loca (pequena gruta próximo a riachos) – daí o apelido.

    A instrumentista viveu durante 25 anos dentro da loca, onde ensinou os filhos a tocar o pífano e improvisar instrumentos em PVC. Zabé ficou conhecida no interior nordestino como a Rainha do Pife e “escondeu” seu talento até o ano passado ao lançar seu primeiro disco, Zabé da Loca, pela série Cantos do Semi-Árido, projeto do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

    No CD, o samba-pife de Zabé ganha assessoramento do conjunto Quinteto Violado, grupo instrumental especialista em ritmos nordestinos e chorinho. No palco, o estilo regionalíssimo de Zabé contracena com a experiência internacional do maestro Carlos Malta, que rendeu ao músico indicação ao Grammy de 2000, pelo álbum Carlos Malta e Pife Muderno.

    Estudioso de instrumentos de sopro, entre eles o pífano, Malta é um dos músicos brasileiros de grande prestígio no exterior – tocou com o mestre do jazz Pat Metheny e virtuoses como Ernie Watts e Gil Evans. No Brasil, foi parceiro de Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti. Hoje, Malta lidera os conjuntos de chorinho, pife e jazz Coreto Urbano e Pife Muderno.

    Apesar das qualidades artísticas de Malta, a estrela do dia é a senhora Rainha do Pife. Acompanhada pelo saxofonista e clarinetista carioca, ela interpreta cantigas tradicionais do sertão nordestino, temas do cancioneiro folclórico brasileiro e composições que desenvolvera durante mais de 60 anos de música.

    Na apresentação pelo projeto Da Idade do Mundo, os músicos serão acompanhados pela também talentosa prole de Zabé da Loca, formada por seus filhos e netos: Setenta e Mané Beiçola (pífanos), Pinto (zabumba), Vino e Fabiana Fernandes (pratos) e Oscar Bolão (caixa, pandeiro e triângulo). Após deixar Brasília, Zabé e sua família partem para uma pequena turnê brasileira pelas capitais.

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