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Cuspindo sobre Brasília

Arquivo Geral

04/12/2003 0h00

Mendigos, prostitutas, políticos, funcionários públicos entre os prédios, monumentos e ruas de Brasília. O poder e a miséria, o centro e a periferia da capital. O espetáculo A Arte de Cuspir, escrito a partir de uma coletânea de livros de Ézio Flávio Bazzo, está em cartaz de hoje a domingo, no Galpão da Funarte.

A diretora do espetáculo, Vanessa Rocha, afirma que a idéia de produzir essa peça surgiu há sete anos, quando ela se interessou pelo trabalho de Bazzo. O escritor é também psicanalista, mora há anos em Brasília e escreve sobre a cidade e as pessoas que vivem nas ruas. Ele pesquisa e entrevista personagens sociais e produz os livros com essa temática, como Prostitutas, Bruxas e Donas de Casa e Lênin nos Subterrâneos do Conic. “Li 14 livros dele e fiz o texto da peça. Assim como seu trabalho, a temática do espetáculo tem Brasília como cenário”, afirma Vanessa.

A Arte de Cuspir mistura literatura, música, performance, vídeo e teatro de animação. Segundo Vanessa, os textos e as imagens são fortes e reais, principalmente as cenas com que retratam a vida das prostitutas. “Chega de fazer um teatro bonitinho, a vida está dura. Mostramos a decadência da sociedade, o ponto em que chegamos. Fazemos um paralelo entre sonho e realidade”, diz.

O autor dos livros que inspiraram a peça é o personagem principal. Bazzo é interpretado pelo ator Humberto Pedrancini e é o narrador do espetáculo. Ele vai passeando pela cidade e as histórias vão acontecendo. Ele encontra as pessoas e vai analisando. É um espetáculo interativo, uma conversa direta com o público. “É uma discussão sobre a sociedade. A platéia não estará sentada em arquibancadas, mas sim em mesas de bar do Conic”, explica a diretora. O Centro Comercial é o ambiente principal da peça. “Foi lá que Bazzo começou com essa história de escrever sobre a cidade. É um lugar que mistura todos os tipos de pessoas”, diz.

Além de Pedrancini, o elenco conta com Amara Hurttado, Alice Stefânia, Jirlene Pascoal, Márcio Menezes e Rômulo Augusto, da Cia. Teatral Piramundo. A trilha sonora é de Daniel Abreu e a edição de vídeos de Caetano Curi.

O visual do espetáculo se resume em preto, branco e vermelho. “O preto e o branco indicam a cidade, os prédios. Já o vermelho simboliza o desejo por trás da burocracia, o sangue, a vida que pulsa. Brasília se tornou uma ilha central e a miséria cada vez mais crescente”, conclui Vanessa.

No foyer do teatro, uma instalação com três televisões exibem vídeos da construção de Brasília, imagens atuais e imagens dos ensaios de criação do espetáculo.

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    04/12/2003 0h00

    Mendigos, prostitutas, políticos, funcionários públicos entre os prédios, monumentos e ruas de Brasília. O poder e a miséria, o centro e a periferia da capital. O espetáculo A Arte de Cuspir, escrito a partir de uma coletânea de livros de Ézio Flávio Bazzo, está em cartaz de hoje a domingo, no Galpão da Funarte.

    A diretora do espetáculo, Vanessa Rocha, afirma que a idéia de produzir essa peça surgiu há sete anos, quando ela se interessou pelo trabalho de Bazzo. O escritor é também psicanalista, mora há anos em Brasília e escreve sobre a cidade e as pessoas que vivem nas ruas. Ele pesquisa e entrevista personagens sociais e produz os livros com essa temática, como Prostitutas, Bruxas e Donas de Casa e Lênin nos Subterrâneos do Conic. “Li 14 livros dele e fiz o texto da peça. Assim como seu trabalho, a temática do espetáculo tem Brasília como cenário”, afirma Vanessa.

    A Arte de Cuspir mistura literatura, música, performance, vídeo e teatro de animação. Segundo Vanessa, os textos e as imagens são fortes e reais, principalmente as cenas com que retratam a vida das prostitutas. “Chega de fazer um teatro bonitinho, a vida está dura. Mostramos a decadência da sociedade, o ponto em que chegamos. Fazemos um paralelo entre sonho e realidade”, diz.

    O autor dos livros que inspiraram a peça é o personagem principal. Bazzo é interpretado pelo ator Humberto Pedrancini e é o narrador do espetáculo. Ele vai passeando pela cidade e as histórias vão acontecendo. Ele encontra as pessoas e vai analisando. É um espetáculo interativo, uma conversa direta com o público. “É uma discussão sobre a sociedade. A platéia não estará sentada em arquibancadas, mas sim em mesas de bar do Conic”, explica a diretora. O Centro Comercial é o ambiente principal da peça. “Foi lá que Bazzo começou com essa história de escrever sobre a cidade. É um lugar que mistura todos os tipos de pessoas”, diz.

    Além de Pedrancini, o elenco conta com Amara Hurttado, Alice Stefânia, Jirlene Pascoal, Márcio Menezes e Rômulo Augusto, da Cia. Teatral Piramundo. A trilha sonora é de Daniel Abreu e a edição de vídeos de Caetano Curi.

    O visual do espetáculo se resume em preto, branco e vermelho. “O preto e o branco indicam a cidade, os prédios. Já o vermelho simboliza o desejo por trás da burocracia, o sangue, a vida que pulsa. Brasília se tornou uma ilha central e a miséria cada vez mais crescente”, conclui Vanessa.

    No foyer do teatro, uma instalação com três televisões exibem vídeos da construção de Brasília, imagens atuais e imagens dos ensaios de criação do espetáculo.

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