Uma pequena, mas considerável parte do repertório de Hyldon foi eternizada no cancioneiro popular canarinho, que passa de geração a geração e depois de três décadas continua nas rádios e na ponta da língua de jovens e adultos. Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda, seu cartão de visita, ficou conhecida pelo próprio Hyldon nos anos 70. Em seguida, foi lembrada pelos Golden Boys e Tim Maia na mesma década. Nos anos 90, o Kid Abelha, de Paula Toller, deu novo vigor à canção.
Há ainda As Dores do Mundo, regravada por Fagner na década de 80 e redescoberta com uma releitura pop pelo Jota Quest no primeiro disco da banda mineira, em 1996. Demais temas compostos por Hyldon ganharam sucesso ainda nas vozes de Marisa Monte (Acontecimento), Caetano Veloso (Na Sombra de Uma Árvore) e mais recentemente da distinta Preta Gil, que revirou o acervo do soulman baiano e gravou em seu CD de estréia Táxi Para a Bahia.
A obra de Hyldon se resume em três discos, apesar de sua discografia contar com sete álbuns ao todo: Na Rua, na Chuva, na Fazenda (1975), Deus, a Natureza e a Música(1976) e Nossa História de Amor (1977) formam o acervo central do repertório do soulman baiano. O segundo álbum, inclusive, foi regravado pelo próprio compositor no ano passado.
A música de Hyldon voltou às rádios especializadas em desenterrar sucessos originais da música brasileira com o novo cinema nacional: Em Cidade de Deus, com o hit Na Rua, na Chuva, na Fazenda; Carandiru (Homem Pássaro), Durval Discos (A Fim de Voltar) e O Homem do Ano (As Dores do Mundo).
Na volta aos estúdios, Hyldon havia decretado oficialmente seu retorno aos palcos quando realizou o primeiro show de sua turnê nacional de O Vendedor de Sonhos na casa noturna Bourbon Street, em São Paulo, no dia 25 de setembro. Aberta a temporada, o músico retornou à capital paulista no mês passado e deve passar por Brasília no próximo ano.