Alguns alimentos são fundamentais para o desenvolvimento das crianças. Entre eles, o leite e seus derivados, ricos em cálcio, fundamental na formação dos ossos e dentes, e a carne vermelha, fonte de vitamina B12, que previne a anemia, um sintoma considerado doença e que está preocupando médicos e autoridades ligadas à saúde.
“Cerca de 60% das crianças brasileiras apresentam anemia por deficiência de ferro. É um número preocupante e assustador, porque esta deficiência prejudica o desenvolvimento do cérebro, baixando os coeficientes de inteligência”, afirma o médico-nutrólogo e diretor-presidente da Integralmédica de São Paulo, Euclésio Bragança.
Ele ressalta também que nesse percentual estão incluídas as crianças de classes sociais mais elevadas, com melhores condições financeiras e, conseqüentemente, com acesso a uma melhor alimentação, e não somente as das classes D e E. “A falta de tempo para as refeições e a opção pelos fast foods têm contribuído para as crianças adoecerem”, adverte.
Bragança aconselha uma alimentação rica em frutas, legumes, carboidratos, proteínas e boas gorduras (em especial, os ômegas 3 e 6), essencial para o bom desenvolvimento, tanto intelectual quanto físico, das crianças. As frutas ricas em vitamina C (acerola, laranja, limão, abacaxi etc.) auxiliam o organismo na absorção de ferro, presente em outros alimentos.
A anemia é definida como uma diminuição de hemoglobina no sangue circulante, com ou sem diminuição dos glóbulos vermelhos. É um sintoma de uma variedade de situações, incluindo uma grande perda de sangue ou a destruição excessiva – e/ou a diminuição – da formação de células sangüíneas, entre outras.
Para reduzir a incidência de anemias, Euclésio Bragança recomenda a adição de vitaminas e minerais nos alimentos industrializados consumidos pela população infantil, a um baixo custo, para que possam ser adquiridos pelas pessoas de baixa renda. O controle de doenças como malária e de sintomas como a diarréia, que fazem o corpo perder vitaminas e minerais, também é necessário, de acordo com o médico.
Ele explica que o fornecimento de suplementos nutricionais para determinados grupos da população, como gestantes e mulheres em fase de amamentação, crianças desnutridas e pessoas de baixa renda que apresentam anemia, poderá mudar o quadro da doença no Brasil. “O custo é mínimo, existem suplementos nutricionais, como cápsulas de fígado dissecado, fontes de proteínas, vitaminas do complexo B e de ferro”, defende.
“Com a adoção de medidas preventivas, certamente haveria a redução do número de anêmicos entre a população infantil brasileira, as gestantes e os nutrizes, uma vez que mulheres no período de gestação e lactação e crianças de até dois anos de idade precisam de doses extras de ferro”, diz o especialista.