A cadeira da barbearia, no Rio de Janeiro, em entrevista pelo telefone ao Jornal de Brasília, Francisco Cuoco confessa: “A emoção de voltar ao teatro é tão grande que eu não quero mais parar. Preferiria deixar a TV”. Após 20 anos dedicados ao cinema e à televisão, o ator volta aos palcos com a peça Três Homens Baixos, ao lado de Gracindo Júnior e Chico Tenreiro. O público poderá conferir o espetáculo de hoje a domingo, no Teatro da Caixa.
Sob direção de Gracindo Júnior e escrita por Rodrigo Murat, Três Homens Baixos narra a história dos amigos Titi, Samuca e Ciro, que se encontram periodicamente numa mesa de bar para colocar as novidades em dia. “Cada personagem traz uma revelação bombástica. Um saiu do armário e confessou ser homossexual. Outro, machão, descobre que é traído e o terceiro, casado há muito tempo, é impotente”, conta Cuoco.
Na montagem, o espectador fica diante de um espelho que deforma a anatomia do corpo e a torna engraçada. Outra atração é a trilha sonora composta por paródias. “O público começa a dar risadas com o pano fechado, porque já no início há humor”, revela.
Cuoco lembra que trabalhou com Gracindo Júnior apenas uma vez, na novela Deus nos Acuda, em 1993. Mas a identificação com o colega é grande. “Eu descubro nele um homem de teatro completo: excelente diretor, ator de mão cheia. Fico muito à vontade de trabalhar ao seu lado”.
A vida de Francisco Cuoco é agitada. Há um ano, ele viaja por todo o Brasil com a montagem. “Sempre fico na expectativa porque cada público é diferente e tenho a oportunidade de conversar com pessoas que me acompanham há 30, 40 anos”, afirma.
Apesar do resgate do teatro, o ator continua na TV, interpretando José Higino, na novela América. É a primeira vez que ele vive um personagem rural. “Fazer José Higino é gostoso, porque o ator tem de ser camaleônico. Você pesquisa, conversa com pessoas do meio. Participei de um workshop da Globo e tive a oportunidade de conhecer deficientes visuais e gente ligada a rodeio”, conta.
Apesar da vida atribulada, Cuoco encontra tempo para se cuidar. “Não sou muito vaidoso, mas cuido das unhas, do cabelo, tomo vitaminas. Também me cuido para os meus personagens”, diz o ator, de 71 anos. Separado, ele é adepto do namoro: “Sou como um beija-flor. Namoro. Nem sei se no atacado ou no varejo”, brinca.
Serviço
Três Homens Baixos – com Francisco Cuoco, Gracindo Júnior e Chico Tenreiro – Hoje e amanhã, às 21h, e domingo, às 20h, no Teatro da Caixa. Os ingressos custam R$ 10 (inteira).